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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Nas bancas: para saber por que se estuda tão mal no Brasil

Apesar da capa sobre a revolução cubana se referir a uma reportagem interessante sobre a condição ideológica do povo cubano hoje, não foi o que mais chamou a minha atenção na revista Sociologia Ciência & Vida deste mês.

Lá no canto inferior, está anunciado o caderno de exercícios. Todo mês a revista tem um caderno para reflexões em sala de aula, com atividades com alunos e sugestões de leitura. Contudo, neste mês surgiram duas inovações. A primeira e que espero que perdure é que o caderno não está separado. Antes era avulso, pequeno e fácil de ser perdido. Agora está incorporado às páginas da revista.

A segunda e mais interessante (a primeira é mais prática) é que o caderno desta edição é uma longa análise de como se encontram as políticas públicas e as práticas profissionais no campo docente no Brasil hoje. Não é nada animador. Numa síntese feliz que surge durante o texto, é lembrado que cada vez mais confundem-se fins e meios seja para o ensino seja para a pesquisa. Elencar pontos para quaisquer atividades torna-se mais importante do que a própria atividade.

Isso contamina a seleção docente em faculdades particulares, bem como a aquisição de títulos para as bibliotecas. Afinal, fundamental é de que modo isso conta bem para uma avaliação do MEC. Como crianças que tentamos ensinar a não estudar apenas na véspera das provas.

Contudo, do mesmo modo ocorre com instituições públicas. Estive na UFAL nesta semana. Dois professores de lá conversavam. Um dizia que interrompeu sua pesquisa e suas aulas à espera de uma licença para ir a um evento. Poderá justificar que o fez porque era relevante este evento e vai pleitear prorrogação dos prazos para outras atividades. Os meios tornaram-se autônomos frente aos fins e mais importantes do que estes.

Não importa pensar se são muitos ou poucos que fazem isso ou aquilo. Se há a oportunidade, começa a contaminação das práticas. Basta saber que há para correr o risco de desânimo. E o desânimo, diz a revista, é um problema constante desde o ensino fundamental até os cursos de pós-graduação.

Como nos textos sobre o mesmo assunto que mostrei aqui dias antes, essa revista também não visa solucionar o problema. Não cai na prepotência fácil afinal o papel aceita tudo e curas milagrosas para problemas encravados em instituições carecem de análise cuidadosa. Foi o que a revista trouxe. Vale a leitura por professores, estudantes, pesquisadores, pedagogos e quem quiser fazer qualquer curso de longa duração, seja em graduação ou pós-graduação.


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