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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Curso de Tradução Visual com formação em Áudio-Descrição na UFPE

Enviado por Francisco Lima:

Estão abertas as inscrições para o segundo curso de tradução visual com formação em áudio-descrição a ser oferecido no Centro de Estudos Inclusivos (CEI) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


Os interessados devem enviar carta de intenção, dizendo das razões que os levaram a postular uma das 25 vagas para o curso.

As informações devem ser enviadas exclusivamente por e-mail para o endereço eletrônico ceitrabalhos@gmail.com, com o assunto "inscrição para curso de áudio-descrição", até o dia 20/09/2009.

A aprovação do candidato estará condicionada às razões apresentadas na carta de intenção do candidato, bem como condicionada à qualidade da redação desta.
Os alunos receberão os materiais em formato eletrônico e em outras mídias, quando necessário.

Visando a oferta dos materiais requeridos para as aulas, os candidatos aprovados deverão confirmar sua matrícula até o dia 23 do corrente.


Este curso de Tradução Visual com ênfase na formação de áudio-descritores terá duração de 45 horas, no período de 24 de setembro à 10 de dezembro de 2009, sempre às quintas-feiras, das 14:30h às 17:30h.

Outras informações podem ser solicitadas pelo mesmo e-mail ou pelo telefone do CEI/UFPE: 081-3453 5066.

SOBRE A ÁUDIO-DESCRIÇÃO

A PORTARIA Nº 310, DE 27 DE JUNHO DE 2006 do Ministério das Comunicações definiu a áudio-descrição como:

3.3. Áudio-descrição (sic): corresponde a uma locução, em língua portuguesa, sobreposta ao som original do programa, destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos ou compreendidos por pessoas com deficiência visual.


Em outras palavras, a áudio-descrição não é uma descrição qualquer, despretensiosa, sem regras, aleatória. Trata-se de uma descrição regrada, adequada a construir entendimento, onde antes não existia, ou era impreciso; uma descrição plena de sentidos e que mantém os atributos de ambos os elementos, do áudio e da descrição, com qualidade e independência. É assim que a áudio-descrição deve ser: a ponte entre a imagem não vista e a imagem construída na mente de quem ouve a descrição.

Isto é, a união dos sentidos se dá por uma ponte em cujas extremidades estão a imagem e a descrição. Essa ponte, o áudio-descritor, vem conduzir a imagem que sem a descrição será inacessível às pessoas com deficiência visual, mas que, com a áudio-descrição, tomará sentido.

Nas palavras de Lívia Mota, "a áudio-descrição “...é um recurso de acessibilidade que permite que as pessoas com deficiência visual possam assistir e entender melhor filmes, peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas e outros, ouvindo o que pode ser visto. É a arte de transformar aquilo que é visto no que é ouvido,o que abre muitas janelas para o mundo para as pessoas com deficiência visual. Com este recurso, é possível conhecer cenários, figurinos, expressões faciais, linguagem corporal, entrada e saída de personagens de cena, bem como outros tipos de ação, utilizados em televisão, cinema, teatro, museus e exposições”. (grifos nossos)


Conforme definido no www.adinternational.org/ADIad.html, a técnica de áudio-descrição:

[ ] envolve a acessibilidade aos elementos visuais do teatro, televisão, cinema e outras formas de arte para pessoas cegas, com baixa visão, ou qualquer outra deficiência visual. É um serviço de narração que tenta descrever aquilo que está disponível ao vidente, e é oferecido sem custo adicional ao espectador com deficiência visual – aquelas imagens que uma pessoa que é cega, ou com deficiência visual, antes só podia ter acesso por meio dos sussurros de um colega vidente.

Em teatros, em museus, e assistindo à televisão, a filmes, e a apresentações em vídeo, a áudio-descrição é comentário e narração que guia o ouvinte através da apresentação com descrições concisas, objetivas de novas cenas, cenários, trajes, linguagem corporal, e “piadas visuais”, todos colocados entre trechos de diálogos ou músicas. (http://www.adinternational.org/ADIad.html).

Ao tratar da áudio-descrição aplicada à educação, Lima e colaboradores argumentam que:

"O professor inclusivo poderá lançar mão dos recursos de acessibilidade disponíveis, promovendo oportunidades para a eliminação de barreiras atitudinais entre os alunos, através do estímulo de atividades coletivas de áudio-descrição que envolvam a todos, sensibilizando-os e dando-lhes autonomia para também desenvolverem e se beneficiarem do recurso em conjunto.

Mais significativamente, o professor inclusivo poderá oportunizar a todos os alunos o entendimento de que a áudio-descrição, antes de ser um recurso que beneficia a um ou outro aluno da turma, com essa ou aquela deficiência, constitui-se como um recurso pedagógico que agrega a característica de ser acessível.

Assim, a áudio-descrição pode ser considerada como ferramenta pedagógica de acessibilidade quando a sua aplicação tiver por objetivo:

- minimizar ou eliminar as barreiras presentes nos meios de comunicação que se interponham ao acesso à educação, tais como aquelas presentes no acesso a materiais bibliográficos;

- proporcionar que alunos com deficiência visual, com dislexia e outros tenham acesso aos conteúdos escolares, ao mesmo tempo que o restante da turma;

- permitir que todas as ilustrações, imagens, figuras, mapas, desenhos e demais configurações bidimensionais, presentes nos livros didáticos, fichas de exercícios, provas, comunicados aos pais, cartazes, circulares internas etc., também sejam disponibilizados através da áudio-descrição;

- zelar pela autonomia, empoderamento e independência dos alunos com deficiência visual e outros usuários do recurso;

- atentar para a descrição de objetos que fazem parte do cotidiano escolar, como a disposição do mobiliário da sala de aula, da planta baixa da escola, da distribuição do acervo na biblioteca, dos espaços de recreação e outros ambientes e produtos de uso comum etc.;

- perceber a transversalidade do recurso, por exemplo, ao estimular que através de uma atividade coletiva de áudio-descrição, durante uma aula de matemática ou de ciências, os alunos possam desenvolver descrições por escrito de tal sorte que as informações ali contidas possam ser aproveitadas nas aulas de língua portuguesa;

- considerar a importância de democratizar as informações e conhecimentos construídos em sala de aula para toda a comunidade escolar, oferecendo este recurso em exposições, mostras, feiras de ciências, apresentações, reuniões de pais e mestres, encontros pedagógicos, aulas de reforço escolar, excursões temáticas,

jogos e olimpíadas esportivas, exibição de filmes e nos demais encontros e atividades cuja educação seja o foco;

- reforçar o respeito pela diversidade humana, praticando e divulgando ações de cunho acessível entre os alunos com e sem deficiência;

- atrair parceiros que possam financiar projetos de acessibilidade na escola e a partir dela;

- criar programas e projetos de voluntariado e monitoria que envolvam o público interno da instituição e a comunidade escolar, a fim de capacitar os interessados na temática da áudio-descrição e levar a diante outras iniciativas de acessibilidade;

- promover encontros de formação, reflexão e sensibilização sobre a inclusão social das pessoas com deficiência para professores, funcionários, gestores,

alunos e comunidade, fortalecendo a máxima de que a inclusão só poderá ser construída através da perpetuação de práticas acessíveis, ou seja, a partir da eliminação de barreiras tais como as atitudinais e aquelas presentes nos meios de comunicação."

Marco Legal:

Em 27 de junho de 2008 venceu a carência de dois anos que a Portaria 310 do Ministério das Comunicações concedeu às emissoras para que elas se preparassem para transmitir inicialmente duas horas diárias de programação áudio-descrita e legendada.

Exatamente nesse dia, o Ministério das comunicações publicou uma nova portaria suspendendo a obrigatoriedade da áudio-descrição, em atendimento à um pedido da ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, que, entre outras argumentações falaciosas, alegou não existirem áudio-descritores no Brasil para que se pudesse cumprir o que determina a Portaria 310.

Depois de muita conversa e muito trabalho, as pessoas com deficiência, o MP e outros interessados na acessibilidade comunicacional para as pessoas com deficiência visual conseguiram fazer o MC restabelecer a obrigatoriedade da audiodescrição pela publicação da Portaria 466, que concedeu prazo de 90 dias para que asemissoras fizessem o que já deveriam ter feito nos dois anos de carência anteriormente previstos.

Novamente, a ABERT conseguiu que o Ministério das Comunicações postergasse o início da obrigatoriedade de oferta da áudio-descrição, em um claro descumprimento de preceitos constitucionais de acesso à informação, de acesso à cultura, à educação, entre outros dispositivos garantidores da equiparação de oportunidades,
de condições de acesso ao lazer e ao trabalho, bem como de acesso à saúde e aos espaços físicos, com autonomia, independência e segurança.

Reconhecendo a necessidade de acesso à informação, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o Ministério das Comunicações reabrisse a consulta pública sobre a oferta da áudio-descrição. E foi! Agora, a consulta pública sobre a acessibilidade comunicacional por meio da áudio-descrição está novamente aberta para receber as considerações de todas as pessoas que queiram contribuir com esse tema de inclusão social e de respeito legal.

Para saber mais, consulte:


Para você que pretende se dedicar a audiodescrição profissionalmente, esta é a hora. Venha juntar-se a nós no segundo curso de Tradução Visual com formação em áudio-descrição do CEI/UFPE.

Você que é das áreas de comunicação, teatro, cinema, televisão, letras, pedagogia, história ou outras, e quer aprender a fazer descrição nas áreas de televisão, das artes plásticas e outras, aproveite esta oportunidade, inscrevendo-se pelo e-mail:


Francisco Lima (Coordenador do CEI/UFPE)

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