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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Aprendendo com o "Fora Sarney"

Divulguei ontem desabafo de Tico Sta. Cruz que reflete a decepção de muitos animados com manifestações não-presenciais organizadas nesta semana. Cabe antes de comentar relembrar como tudo começou.

A despeito da contínua omissão dos artistas brasileiros frente às nossas questões políticas, um grupo de cidadãos com presença constante na mídia, entre eles Marco Luque e Júnior Lima, decidiu se manifestar sobre os abusos do presidente do Senado. Organizaram no twitter um perfil chamado "TW Pirata". Primeiro fizeram uma brincadeira com determinada palavra-chave repetida à exaustão no jogo BrasilxEstados Unidos. Conseguiram seu máximo sucesso quando o ator Aston Kutcher usou a mesma expressão no Twitter.

O problema começou quando passaram para uma segunda campanha, "#Forasarney". Estimularam dezenas de usuários do mesmo serviço on-line a divulgar a expressão. Logo blogs, perfis no Orkut, imprensa, comentaram como em poucas horas aparecia essa expressão milhares de vezes pela internet. Até que esbarraram mais uma vez em Aston Kutcher. Dessa vez, ele respondeu "O senador é de vocês'. E completava afirmando que nós que devemos saber o que fazer com ele.
Foi uma segunda festa. Afinal, Aston respondeu pela segunda vez a um apelo deles!

Por que era tão importante conquistar a atenção deste ator? Porque ele é recordista mundial em seguidores no twitter, ou seja, em pessoas cadastradas em seu perfil para receber o que ele publicar lá. Não é por ser marido de Demi Moore nem por seus filmes (dos quais só lembro do título de Efeito borboleta...).

Pois dessa espécie de gincana on-line foram tentadas várias manifestações pelo Brasil. Em São Luis, segundo fotos que pude ver pelo próprio twitter, a passeata foi bem sucedida. Logo, todos tentaram marcar em suas cidades. Segundo Tico Sta. Cruz foram cerca de 50 em São Paulo, menos de 30 no Rio de Janeiro. O que gerava a indignação: onde estavam os milhares que escreviam apoiando as manifestações? A resposta é imediata: Continuam apostando, mas em frente ao computador.

Eis o problema de confundir política e PlayStation. Não se faz política, não se participa da sociedade, por meio de videogames. Espaços para convivência on-line servem para trocar ideias, nos atualizar, mas não bastam em si mesmos. Desde Platão que se discute a autonomia das ideias. Nesse caso, as ideias eram julgadas como autônomas. Aparentemente, muitos acreditaram que, por serem tantos querendo derrubar José Sarney, se dissessem isto em suas casas pela internet ele cairia. Como uma reza forte contra o diabo. Mas nenhuma Igreja defende fé sem obras.

No Irã, grupos que se encontravam clandestinamente para debater, trocar livros, fumar, fazer o que o governo impede, organizaram pela internet manifestações. Na França, tem acontecido algo semelhante por parte de imigrantes muçulmanos. No Brasil, numa iniciativa que o perfil do consumidor contínuo de internet aponta ser da classe média, ainda não se sabe o que fazer com a internet tão disponível. Há dificuldade nacional para distinguir o desabafo do protesto, a piada da intervenção urbana, a passeata do spam. A solução é também simples: basta sair às ruas, organizar-se em igrejas, associações, escolas, clubes, ir às audiências públicas marcadas na cidade sobre qualquer assunto, em vez de apenas copiar e colar uma expressão em mensagens instantâneas.

Nosso aprendizado político ainda é muito recente. Temos menos de 30 anos de democracia e já tivemos que conviver com impeachment de presidente da República, escândalos demais em pouco tempo, renúncias e reeleições de quem renunciara; é informação demais para processar em tão pouco tempo. Ainda mais lidando com ferramentas novas surgindo a todo instante sem que as antigas tenham sido esgotadas.

É tropeçando que se anda, mesmo quando se trata de protestos de iniciativa virtual. Importa apenas que não-presencial não seja sinônimo de ausente.

2 comentários:

Master disse...

Mandei este e-mail para vários deputados.


Como o deputado já deve saber, político neste pais virou sinônimo de coisa ruim.
Esperamos que o Sarney saia, que o homem do castelo pague pelo seu cinismo, nem todo o povo é burro.
E que os seus colegas do mensalão não sejam mais eleitos.
Chega de “ladrões”, esta é sua chance de ajudar-nos a limpar a casa.
Corte na própria carne e doa a quem doer.
Chega, de tanta bandalheira, de tantos cabides de empregos, de governantes jogando o dinheiro do povo para dentro do bolso.
De impostos altos, e perda de tempo só com escândalos, quando a casa vai começar a trabalhar, e o porque de altos salários?
De tantas ajuda de custos para vocês?
É muita cara de pau e bandalheira, não agüento mais ouvir e ler isso na imprensa. Vamos TRABALHAR e parar de gerar escândalos atrás de escândalos. Até parece que o salário de vocês é calculado por participações em CPIs.

Obrigado

Marcelo disse...

Então faço minha proposta: planejar.
Foi criada uma comunidade do orkut para decidirmos os próximos passos das manifestações:
Reage Brasil #ReageBrasil
Para nos mobilizarmos, precisamos estar unidos, precisamos de divulgação.

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