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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crise no ensino superior francês

Já são 14 semanas de greve das universidades públicas francesas.

Lá, como aqui, pela reflexão de Carolina Nogueira (aqui e aqui - foto à esquerda de um dos blogs), quem perde são os estudantes. Não há hábito de reposição das aulas perdidas, mas a motivação para fazer provas a qualquer custo para a conclusão do ano letivo ou o "crédito concedido", com aprovação automática de todos os estudantes. Não é à toa que estes sempre apoiam as greves.

Lá, diferente daqui, as greves de professores não costumam ocorrer por salário. As reivindicações são alienígenas para os professores das últimas greves no Brasil: a não reposição de professores aposentados ou falecidos tem fechado departamentos inteiros. A luta é por emprego, não por salário. Batalha-se também por autonomia universitária e pela separação das carreiras administrivas das de ensino e pesquisa. O problema é profundo e aumenta com a falta de disposição do governo francês em negociar. Como bem diz Carolina:
A capacidade de mobilização do trabalhador francês sempre me impressionou positivamente. Acho incrível eles conseguirem realizar tantas manifestações, levar gente para a rua, ganhar espaço na imprensa e fomentar debates públicos sobre temas que muitas vezes não têm um impacto direto na vida da maior parte das pessoas mas que realmente importam para o futuro do país. Acho que conseguir fazer isso sem ameaças de demissão e sem retaliações representa um sinal de amadurecimento da democracia. Mas não dá para não pensar no prejuízo que esta mega-greve representa para o futuro da universidade pública em um país como a França – que, além de oferecer uma educação de qualidade para seus cidadãos, é um pólo atrativo de estudantes do mundo todo.
Esse amadurecimento da democracia tem sido ameaçado pela grande crise financeira internacional. Já não se pode mais pensar, em qualquer categoria profissional, em paralisações sem risco de demissão. O risco é permanente, quando não é uma certeza em vez de hipótese arriscada.

Do modo como o ensino superior francês atrai estudantes do mundo, sem aulas por tanto tempo muitas das suas atividades ficam prejudicadas e o retorno aos países de origem torna-se um problema adicional. Afinal, bolsas ficam sob ameaça, já que atividades de pesquisa são interrompidas também.

Quando as universidades públicas brasileiras e francesas podem chorar juntas, sim, estamos numa crise internacional sem precedentes.

1 comentários:

luzdeluma disse...

O ensino francês sempre está em crise, assim como o nosso e o ensino no mundo, cada um com sua particularidade. Lembro que a crise de 2000 girava em torno do ensino novo x curso clássico, as quais deram origem às alterações propostas pelos novos documentos oficiais, alvo da polêmica que ainda hoje reverbera fortemente entre a intelectualidade. Apego a posições extremadas não são capazes de trazer solução para os problemas e isso é o que mais vemos na França. Bom fim de semana! Beijus

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