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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ao Tutmés pela vitória, ao Congresso pelo tédio umbigocêntrico

Não gosto de acompanhar as intrigas de Brasília. Não me refiro a política pois, como bem diria Antônio Gramsci, não se faz política simplesmente passeando entre corredores e gabinetes para trocar favores. Duas eleições dessa semana, uma nacional e outra por aqui, mostraram bem isso.

Afinal, a quem interessa na população brasileira as eleições para Presidente da Câmara e do Senado? Infelizmente, as duas casas raramente têm tido espaço na imprensa senão para legislar sobre si mesmas e para debater os próprios futuros. Estamos no segundo mês do ano e até agora essa eleição e o aumento no número de vereadores ocuparam a maior parte do tempo nas discussões parlamentares de forma bocejante à população que, com certeza, não precisa de agentes públicos que se reúnem tantas vezes para debater os próprios umbigos oficiais.

Quem discordar, pare para pensar no que tem feito de útil a própria Câmara de Vereadores. Certamente, mudanças de subsídio, de horário de trabalho, reformas na sede e, principalmente, reflexões sobre a mesa diretora ocuparam bom tempo das discussões. A Assembleia Legislativa de Alagoas nos últimos anos não tem outro assunto além da sua mesa diretora. Quando a Assembleia teve suas atividades interrompidas por meses devido a medidas policiais e judiciais ninguém sentiu falta.

Mas é possível ver a política se realizando de modo interessante. Um exemplo local foi a eleição do amigo Tutmés Ayran (foto acima à direita) a Desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas pela vaga aberta para alguém indicado pelos advogados. Acompanhei e colaborei com a campanha e, com certeza, um candidato que batalhou com honestidade e objetivos muito claros. Representou, guardadas as devidas proporções, um micro-Obama para a advocacia alagoana, tamanha a projeção de mudança nas carcomidas rotinas jurídicas agora cheias de esperança.

Num estado eminentemente conservador, ele discursava citando Lênin e Marx sem constrangimentos, agradecendo ao apoio dos movimentos sociais e da advocacia popular, tudo sem menor receio de desagradar a parte dos advogados-eleitores. Foi quem sempre tem sido e deu certo.

Advogado de carreira e orgulhoso do que faz, que optou na Procuradoria do Estado por atuar à frente da Defensoria Pública e se apresentava não como Procurador mas como Defensor, ex-secretário de segurança que era chamado de "Professor" pelos detentos, a quem ofereceu pela primeira vez nos pátios carcerários as festas a que todo cidadão tem direito durante o ano como parte da ressocialização, professor que me ensinou a ensinar História do Direito para o período em que lecionei essa disciplina, enfim, um alívio para o Tribunal.

Parabéns ao Tutmés. Que a advocacia local, ao ver de olhos livres, tenha aprendido que apostar em mudanças políticas institucionais faz sentido e invista em outras campanhas justas.

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