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domingo, 18 de janeiro de 2009

Sobre Marley, Obama, Spock, Batman e outros bons momentos

Obama assumirá a presidência dos Estados Unidos por esses dias. Todos já estamos cansados de saber disso. Contudo, ao assistir Marley & Eu ontem,lembrava do otimismo do meu pai, da paz de espírito do meu cachorro e, principalmente, de algumas frases que li há pouco tempo que me fizeram pensar em Obama de novo.

Lembrei de uma entrevista em que alguém perguntava ao cineasta J. J. Abrams por que fazer um novo Star Trek e o diretor do novo filme, que recomeça a série, respondeu "É importante para mim que o otimismo volte à moda". Talvez não seja só para ele. Mas, alguém lembra de alguma outra história de ficção científica que tenha mostrado um futuro em que a Terra esteja melhor do que hoje, além de Jornada nas Estrelas? Dinheiro abolido e lógica do capital substituída pelo trabalho associado (pois é, literalmente dito em vários episódios, para referência basta prestar atenção ao penúltimo episódio da nova geração), fim das guerras no mundo, cura à maioria das nossas doenças, fim de conflitos e tensões étnicas, enfim, havia a crença de que é possível mudar.

Batman, no aparentemente mais deprimente filme da série, O Cavaleiro das Trevas, repete constantemente que chegará o dia em que o Batman não será necessário. E o que traz a derrota do Coringa? Não são sopapos do morcegão, mas seus planos para despertar o pior das pessoas não darem certo. "As pessoas de Gotham são boas", diz o homem-morcego que leva a vida a perseguir bandidos de uma cidade violentíssima e sem esperança. "A cidade precisa ter alguém em quem confiar", diz ele depois. Todos precisamos.

E incessantemente no filme canino de ontem, sobre o carismático labrador, o objetivo do seu coadjuvante dono é mostrar coisas boas no mundo (por pelo menos 5 minutos diários, como diz sua esposa). Deixa de ser repórter para poder se dedicar a histórias positivas. É, às vezes elas fazem falta.

As vendas de HQs de super-heróis estão em queda livre nos EUA há meses, talvez anos. E o que têm mostrado as histórias em quadrinhos nesse período? Crises, falta de confiança, insegurança, oras, para ver tudo isso ninguém precisa apostar em comprar fantasia. Basta ler jornais ou botar a cabeça para fora da própria janela. Mais uma vez, chega um momento em que todos precisam ter em quem confiar, coisas boas para contar, sonhos para lembrar que somos humanos, pelo menos de vez em quando.

E voltamos para Obama após essa longa volta. Num momento de crise, refletido nas artes, num pessimismo desenfreado desencadeado pelo espírito do tempo da Era Bush, alguém diz Yes, we can e, mais importante, encontra eco.

Esse alguém, filho de imigrante estrangeiro, negro, militante de movimentos sociais, advogado pro bono, orgulhoso de tudo que já fez de positivo mostra não apenas boa oratória, boa vida pregressa (ou alguém não já teria publicado o menor escândalo possível que encontrasse?) mas disposição de milhões de americanos, boa vontade de líderes mundiais, aposta de cidadãos de vários países de que é preciso mudar e de que é possível mudar.

Talvez não supere a crise, talvez afunde consigo, talvez quebre a cara no meio do mandato, talvez afunde as esperanças para reordenar a economia,, sei não... mas vai logo afirmando que fechará a prisão em Guantánamo, que todos trabalhando para a Presidência precisam ter ficha limpa (ok, tem a Hillary Clinton por lá mas ninguém é perfeito...), que a tortura é inadmissível em quaisquer circunstâncias. Aparece sempre sendo carinhoso com a família, gentil (olha a gentileza de novo presente...) com entrevistadores de qualquer país, sem preocupação em se esconder ao ponto de tentar manter o mesmo celular de antes e ter as filhas estudando numa escola normal.

Talvez muito não se supere, mas mostrou, como os filmes descritos, como meu pai apostava, como meu cachorro cochilando despreocupado me faz confiar, que é possível e necessário manter boas representações de mundo, expectativas construtivas contínuas, e confiar que é possível mudar, yes, we can.





P.S.: Ah antes que eu esqueça, sobre Marley & Eu, não leve lenços de papel ao cinema, leve logo um rolo de papel higiênico que lenço é pouco. A não ser que não tenha nem nunca tenha tido nem querido ter um cachorro. Mas quem não gosta de bicho não deve gostar de gente.
(donos de cachorro somos radicais sobre isso)

1 comentários:

Aquela que pensa... disse...

Olá

Vou fazer um comentário sobre Barack Obama.
Mesmo se ele for um péssimo presidente, e não conseguir tirar o país da crise economica que atinge o mundo, ele ainda será o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América, que influenciou muitas crianças e jovens a pensarem alto e sempre ter esperanças.

Abraços

Elo

www.entaoeupensei.blogspot.com

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