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sábado, 10 de janeiro de 2009

Reflexões para o CQC brasileiro em 2009

Em 2008, o CQC conseguiu grandes vitórias para a população de diversas cidades por meio do quadro Proteste Já, apresentado por Rafinha Bastos. De todas as denúncias de irregularidades urbanas, apenas uma, segundo uma retrospectiva do quadro, não foi satisfeita.

É, portanto, um sucesso jornalístico dentro de um programa celebrado pelo seu jornalismo com humor e bem-sucedido em todos os países onde existe: Itália, Argentina, Chile, Espanha e Portugal.



Enquanto o programa estiver de férias, nesse mês de janeiro, mostrando seus melhores momentos nas noites de segunda-feira, fica uma reflexão sobre o quadro. Por se tratar em sua maioria de denúncias no âmbito municipal num ano de eleição, sem desconsiderar toda a pressão, sem ignorar todas as ameaças, os momentos em que a produção do quadro foi agredida, como ficará toda essa agressão fora de um período eleitoral?

Apesar de todas as dificuldades, havia no fim a possibilidade da réplica popular pela denúncia na TV às vésperas de uma eleição.

Uma solução para essa reflexão seria investir mais em questões de direito do consumidor, na iniciativa privada. De todo modo, para lidar com serviços públicos, precisarão rever suas estratégias.

O que com certeza pode contribuir muito são denúncias fundamentadas. Como escrevi ontem, os mecanismos para apurar irregularidades nas contas públicas estão em grande parte disponíveis à população pela internet. Resta examiná-los com paciência, planilha por planilha, tabela por tabela, conferindo estatísticas e comparando orçamento previsto com verbas de fato destinadas e resultados obtidos. Feito isso, será preciso apenas encaminhar a denúncia por email.

Contudo, um problema ainda maior, sobre o qual escrevi para o programa foi a paulistização de suas pautas. Por mais produtivo que tenha sido, a forma como predominaram problemas do estado de São Paulo não faz sentido para um programa que teve tantas reportagens em outros países. É possível lembrar o tamanho que o país tem.

A propósito, encaminhei fotos do riacho Salgadinho em Maceió para o email de lá para facilitar a descentralização, que de fato começou no fim do ano (apesar de ainda não terem chegado por aqui).

Para não parecer ranzinza diante das grandes contribuições das denúncias apuradas pelo programa, é bom lembrar que ele responde a uma questão levantada por Michael Moore no filme Tiros em Columbine: o que seria de políticos e empresários responsáveis por danos a comunidades (o programa não lida com corrupção como enriquecimento pessoal, mas mal uso de recursos públicos) recebessem o mesmo tratamento que pobres recebem em programas policiais de TV? Mostra que não apenas é possível agir assim como funciona.

1 comentários:

Cássio Augusto disse...

Já me referi tbém à excelência do CQC. Pena que o quadro em questão não é um dos mais lembrados pelo público, que prefere as reportagens "engraçadas com os famosos!". Mas o programa é mesmo excelente.

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