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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O "sifu" do Lula

Leia o texto abaixo e tente adivinhar em que circunstâncias Lula se encontrava.

"Ora, eu comecei falando de coisas que eu leio, de coisas que eu escuto, de coisas que eu vejo. Imaginem vocês, se um de vocês fosse médico e atendesse a um paciente doente, o que vocês falariam para ele? Olha, companheiro, o senhor tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência avançou demais, nós vamos dar tal remédio e você vai se recuperar. Ou você diria: meu, sifu (sic). Vocês falariam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam. O presidente se comportar como aquela visita indesejada a um doente no hospital, não sei se já aconteceu com vocês. Vai visitar um parente no hospital, está lá o cidadão...porque todo doente fica feio. Ele emagrece, ele fica pálido, ele fica psicologicamente arrebentado, não é o melhor lugar do mundo, o hospital. A gente está sempre mal vestido. Às vezes não tomou banho direito. E aí chega lá a família toda para visitar e aí senta uma comadre e começa a falar: “Ih, ontem, lá na minha rua morreram dois com essa doença aí. E a minha vizinha disse que não tem cura. Um parente dela morreu lá em Pernambuco, em Garanhuns, com essa doença aí”. Ou seja, você acaba de matar o paciente."

Desiste?

Tente mais uma vez.

Saúde pública? Sua vida em Garanhuns? Programas de assistência familiar?

Nada.

Era uma solenidade no Rio de Janeiro sobre a divulgação da nova lei do Audiovisual, ontem.

As metáforas do presidente não merecem interpretação. Basta fingir que não demos atenção e esperar mais dois anos de constrangimentos verbais serem pronunciados oficialmente.

Lula não deveria falar em público com frequência, mas sim o Presidente da República. O que ele diz representa a posição do Estado de Direito. Quando o ministro Gilmar Mendes não falou em nome do STF, que ele preside, mas em nome próprio sobre o caso Daniel Dantas, gerou uma barulheira que ainda rende debates sobre ética na política até hoje. Quantas vezes Lula soube dividir o que é o presidente falando e o que é um cidadão batendo papo com um microfone? Dizer um palavrão numa solenidade oficial, sem estar agindo sob forte emoção nem diretamente pressionado, mas apenas por hábito exige um pedido público de desculpas à nação. Ou pode lavar a boca com sabão depois de seus discursos.

2 comentários:

Antonio Celestino disse...

Isto é uma vergonha, ou melhor, a falta de vergonha.

Adrualdo Catão disse...

Depois o sujeito reclama que o chamam de bêbado. Agora me diga, ele não dá motivos?
É uma degradação das instituições. Uma vergonha para o Brasil.

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