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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Marcha de índios avança para Bogotá

Deu na Folha de São Paulo:

O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, disse nesta quinta-feira que os milhares de índios que marcham a dias em protesto rumo a Bogotá não podem fazer o país "refém" de suas exigências.

Santos, que se reuniu nesta manhã com membros do Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França, disse que seu país possui "a legislação indígena mais avançada do mundo", com sua própria educação, recursos e Justiça, sendo que apenas 3% da população pertence a esse grupo.

Ele disse que os grupos, cuja chegada à capital colombiana está marcada para esta quinta-feira, são uma minoria mesmo da população indígena do país. Eles também se opõem, diz o ministro, a tratados de associação ou livre-comércio, como o que a Colômbia assinou com os Estados Unidos e que depende de aprovação do Congresso americano.

O vice-presidente disse que o Executivo permite as manifestações, só exigindo que os manifestantes não bloqueiem vias de circulação e permitam a movimentação dos demais. Segundo Santos, os movimentos estão ligados a "algumas correntes políticas" de outros países da América Latina, mas disse que situação dos índios na Colômbia é totalmente diferente da encontrada em países como Bolívia, Peru e Equador.

"Tratar de equiparar a Colômbia com esses países é equivocar-se quanto à dimensão do problema", disse o vice-presidente.

Protestos e mortes

Os índios marcham desde o dia 10 e caminharam cerca de 500 quilômetros. Eles pretendem pedir ao presidente Álvaro Uribe que pare com a violência contra seus líderes e garanta a posse de suas terras ancestrais. Eles também reivindicam que sejam deixados de fora do conflito do governo com as Forças Armadas Revolucionária da Colômbia.

No dia 2 deste mês, terminou sem acordos uma reunião de representantes de comunidades indígenas com Uribe para discutir as reivindicações. O encontro, que contou com cerca de 4.000 indígenas, ocorreu na cidade de La María, no departamento (Estado) de Cauca, no sudoeste do país.

Em 21 de outubro, dois indígenas morreram em meio aos protestos por distribuição de terras. Segundo o Cric (Conselho Regional Indígena de Cauca), uma das entidades que organizou a manifestação, os índios Jesus Antonio Nene e Elver Brito, da etnia paez, levaram tiros na cabeça e nas costas.

Eles teriam sido alvejados quando tentavam se juntar à marcha com milhares de manifestantes em direção à cidade de Cali.

As autoridades inicialmente negaram que tivessem sido disparados tiros, mas Uribe reconheceu, no dia 22 de outubro, que um policial disparou durante as manifestações. Ele negou, no entanto, que os tiros tenham matado algum manifestante. A admissão veio depois que o canal americano de notícias CNN divulgou um vídeo amador no qual um policial vestindo máscaras atira três vezes com um rifle durante as manifestações. Na gravação, não é possível ver para onde o policial atirava.

Com Efe e France Press

Obs.: Ao padronizar as políticas públicas indigenistas sem considerar as diferenças entre as etnias, normalmente a idéia do que seja índio corresponderá a um grupo cultural, excluindo os demais. Por isso, muitas vezes os programas parecem funcionar e governos não entendem o porquê de algumas etnias se considerarem excluídas.

Mas temos esse problema no Brasil também. "Aprendemos" a cultura indígena por meio de um índio mítico que englobaria todos os grupos que constituem o povo brasileiro.

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