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domingo, 7 de setembro de 2008

Foi criado o sindicato dos professores de universidades federais

Da Agência Brasil

Cerca de 80 mil professores universitários da rede pública federal do país contam, a partir de hoje (6), com um novo órgão representativo: o Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Federal. A fundação foi aprovada com 595 votos favoráveis, três contra e uma abstenção,em assembléia geral extraordinária, realizada na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), com a participação de representantes de 22 estados.

O professor de matemática da Universidade de São Carlos, Gil Vicente, que vinha dirigindo o Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) foi eleito para presidir a nova entidade, que terá como vice Eduardo Rolim de Oliveira, diretor do Proifes e presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

"Esse será o maior sindicato do gênero no mundo todo”, observou Gil Vicente, prevendo que a base crescerá para 100 mil professores, nos próximos dois anos. Segundo ele, na votação de hoje faltaram representantes de quatro estados: Espírito Santo, Rondônia, Amapá e Mato Grosso.

O novo sindicato “é resultado da vontade dos docentes que vinham contando desde 2004 com a atuação da Proifes , informou Gil Vicente. Segundo ele, havia um anseio por uma entidade na qual não preponderassem interesses político-partidários, depois da perda de registro da Associação de Docentes do Ensino Superior (Andes) , em função do “aparelhamento, com infiltrações de membros do PSTU e do PSOL”. O professor explicou que, com a desarticulação da Andes, o Proifes obteve alguns avanços, como, por exemplo, o acordo que elevou o teto da carreira de R$ 7.900 para 11.800.

O secretário geral da CUT, João Felício, disse que a criação “foi uma vitória” dos líderes dos professores e que cabe à CUT dar seu apoio. “Acho estranho a oposição de algumas correntes que sempre defenderam a convenção 87 da OIT [Organização Internacional do Trabalho] “, disse referindo-se aos representantes ligados ao PSTU e PSOL.


Obs.1: Mais uma vez fica evidente uma grande mudança no mundo do trabalho brasileiro. Servidores públicos, bancários e aposentados (!) concentram os sindicatos fortes do Brasil. A teoria social voltada ao sindicalismo constata uma mudança de perspectiva fantástica, saindo da indústria para o setor de serviços. O proletariado clássico fica em segundo plano diante de tais transformações. Nasce vinculado a partidos com propostas e discursos voltados ao proletariado clássico sem que as particularidades das novas categorias sejam destacadas. Mas para tudo isso existe tempo para novas adaptações teóricas e estratégicas. Parabéns ao novo sindicato.

Obs.2: É lamentável que os professores particulares, maioria no ensino universitário brasileiro, não consigam se organizar nem mesmo nos estados quanto mais nacionalmente. A situação do ensino superior público tem muitas particularidades, pela existência de pesquisa, pela concentração de cursos em campi, pela estabilidade e por planos de carreiras para os professores. É mais fácil integrá-los e aproximá-los como carreira para lutas coletivas. Essas características não são tão comuns no ensino superior privado, o que nos isola, precariza em direitos e enfraquece como categoria.Espero que saibamos aprender pelo menos com as lutas coletivas dos sindicatos de professores de universidades públicas federais.

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