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quarta-feira, 12 de março de 2008

Luta por Soberania Alimentar mobiliza mulheres da Via Campesina

Balanço da Comissão Pastoral da Terra das atividades de mulheres trabalhadoras sem-terra na semana do Dia Internacional da Mulher:


No Rio Grande do Sul, no dia 4 de março, 900 mulheres da Via ocuparam a fazenda Tarumã, em Rosário do Sul. Elas derrubaram árvores de eucalipto e plantaram árvores nativas na área pertencente à empresa sueco-filandesa Stora Enso. No fim da tarde do mesmo dia, o acampamento foi invadido de forma violenta pela Brigada Militar. Centenas de agricultoras foram feridas e as cerca de 250 crianças que estavam no acampamento foram separadas de suas mães. A área ocupada pela Stora Enso foi adquirida ilegalmente e vai contra a Constituição Federal, já que se encontra em faixa de fronteira, o que não é permitido pela legislação.


Em Pernambuco, no dia 6 de março, após ocuparem o Engenho Pereira Grande, que faz parte da Usina Estreliana, em Gameleira (PE), as mulheres da Via Campesina seguiram para a cidade de Água Preta e derrubaram a casa grande do engenho Cachoeira Dantas, de onde haviam sido expulsas 66 famílias. Em Petrolina, sertão pernambucano, elas ocuparam a sede da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) para protestar contra o modelo de desenvolvimento implantado pela companhia na região.


Em São Paulo, as mulheres da Via também ocuparam uma unidade de pesquisa da empresa norte-americana Monsanto, em Santa Cruz das Palmeiras (SP), no dia 7 de março. Elas destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico em protesto contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), a Guardian (da linhagem MON810 da Monsanto) e a Libertlink (da alemã Bayer).


No Rio de Janeiro, no mesmo dia, elas realizaram um ato contra a transnacional Syngenta Seeds, no Consulado Geral da Suíça. Como a transnacional tem sede na Suíça, a Via Campesina pediu que o governo suíço se posicionasse em relação às ações violentas e aos crimes ambientais cometidos pela empresa no Brasil.


Em Brasília, no dia 7 de março, o embaixador da Suíça, Rudolf Bärfuss, se reuniu com uma comissão de mulheres da Via Campesina. No encontro, ele pediu desculpas, em nome de seu país, pela morte de Valmir Mota de Oliveira, o Keno, assassinado em outubro de 2007 por uma milícia contratada pela Syngenta Seeds. Bärfuss afirmou que espera que a Justiça brasileira investigue o caso imediatamente e que irá acompanhar toda a ação.


Em Minas Gerais, mais de mil mulheres da Via ocuparam os trilhos de uma das principais ferrovias da mineradora Vale, que corta o município de Resplendor, na região do Vale do Rio Doce. No dia 11 de março, elas fizeram uma passeata pelo centro da cidade de Governador Valadares, para alertar a população local quanto à chegada da Aracruz Celulose à região.


No Maranhão, cerca 900 trabalhadoras sem terra realizaram, no dia 8 de março, um protesto em frente às instalações da carvoaria industrial da Vale para denunciar os problemas respiratórios causados pela queima de eucalipto nos trabalhadores do assentamento Califórnia, no município de Açailândia.


Em Mato Grosso do Sul, 300 trabalhadores sem terra realizaram um protesto em frente à transnacional Cargill, na cidade de Dourados, e paralisaram as atividades da fábrica por algumas horas para protestar contra o avanço do agronegócio.


No Ceará, mais de 600 mulheres da Via fecharam por duas horas a BR-020. Elas manifestavam contra as empresas transnacionais e contra a transposição do Rio São Francisco. No dia 8 de março, elas realizaram um protesto em frente à empresa Bananas do Nordeste S.A. As trabalhadoras alegam que a empresa prejudica a população da região e trabalhadores da empresa, que são contaminados por agrotóxicos.


Em Santa Catarina, no município de Xanxerê, cerca de 700 mulheres fecharam o acesso à Agroeste, empresa de sementes de milho comprada pela transnacional americana Monsanto. Elas ainda fecharam por meia hora o trevo da BR 282, que dá acesso a Xanxerê e outros municípios.


Em Alagoas, no dia 5 de março, cerca de três mil trabalhadoras se reuniram na Praça Deodoro, em Maceió, para protestar a favor da reforma agrária e contra a violência dos grandes proprietários de terras.


Em Rondônia, cerca de 300 mulheres marcharam até as Centrais Elétricas de Rondônia S.A, em Porto Velho, no dia 6 de março. Elas reivindicam o direito à Tarifa Social de energia para famílias que consomem até 140 kw/mês.


No Rio Grande do Norte, no dia 10 de março, trabalhadoras sem-terra ocuparam o Palácio do Governo do Estado, em Natal. Elas cobraram ações do governo em relação à educação de crianças de acampamentos e assentamentos, entre outros direitos.


Em
Mato Grosso, centenas de mulheres reunidas nos municípios de Sinop e Cárceres debateram as conseqüências do agronegócio para as mulheres.

Para assistir a alguns momentos das manifestações em video, clique aqui.

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