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quinta-feira, 27 de março de 2008

46% com R$ 1.000,00 ou mais

Notícia do Filtro, de Thomas Traumann, hoje:

Economia/Brasil - A maior parte da população brasileira não pertence às classes miseráveis. Pesquisa divulgada ontem pela financeira francesa Cetelem revela que 46% das famílias são da classe C, ou seja, acumulam uma renda mensal de pouco mais de R$ 1.000. Elas eram 36% em 2006. Nesses dois anos, diz a pesquisa, quase 20 milhões de pessoas ingressaram na classe C, um número cinco vezes maior que no período anterior. “O elevador social funcionou”, afirma Franck Vignard Rosez, diretor da financeira. Ele atribui esse resultado a uma combinação favorável de fatores: crédito com prazos longos e juros menores, preços em queda dos bens duráveis, crescimento do emprego e os programas sociais que colocaram mais recursos no bolso das camadas que estão na base da pirâmide populacional. Para a financeira francesa isso significa uma avenida pela frente, tanto no crédito para a compra de automóveis, quando para casas. É o mesmo raciocínio que trouxe ao Brasil o Azteca, banco mexicano especializado em empréstimo para pobres que será inaugurado hoje, no Recife. Para a abertura de conta, o Azteca não exigirá comprovação de renda nem cobrará tarifas. Bastará ter, no mínimo, R$ 10 para um depósito inicial.


"O banco não vai ganhar dinheiro com tarifas. O lucro virá da cobrança de juros", afirmou ao Valor Luis Niño de Rivera, vice-presidente do conselho de administração do Azteca. Isso porque o foco das operações será a concessão de crédito, tanto por meio de empréstimos pessoais quanto por financiamentos em compras feitas na Elektra, uma rede de eletrodomésticos que vai concorrer com as Casas Bahia. Para entender o reflexo da classe C na economia basta dar uma olhada nas previsões do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O instituto avalia que o PIB brasileiro crescerá entre 4,2% e 5,2% em 2008, menos, portanto, que os 5,4% do ano passado. Mas onde está o motor desses 4,2% ou 5,2%? No consumo familiar, que terá um crescimento estimado de até 6,7% neste ano.

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