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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Vexame da OLPC

Existe um dito popular simples que informa ser necessário dar passos segundo o tamanho das pernas. Do mesmo modo, é comum ser dito nos círculos de Filosofia que as idéias devem ser adaptadas ao mundo, não o contrário. Nenhum dos dois adágios foi considerado numa recente e
constrangedora polêmica: a inclusão digital como proposta pela OLPC (One Laptop Per Child).

Esta ONG, fundada por Nicholas Negroponte, propôs há alguns anos a distibuição de laptops de US$ 100 dólares nas escolas públicas, gerando uma revolução digital nos países pobres. Diversos projetos da Positivo, da CCE entre outras empresas surgiram mas a meta da OLPC jamais foi alcançada. Infelizmente, licitações e projetos educacionais podem ser emperrados porque a promessa inicial pode comprometer a perspectiva das intenções das empresas licitantes. Foi o que, aparentemente, aconteceu no Brasil nesta semana.

O presidente Lula cancelou a licitação para aquisição de 150 mil laptops para distribuição em escolas públicas brasileiras porque a empresa Positivo, que apresentou o menor preço, não o reduziu. Em seu comunicado, assim se defendeu a Positivo:

"infelizmente, existem vários fatores que hoje inviabilizam a concepção de um produto de qualidade e que atenda às necessidades mínimas dos estudantes por esse valor [US$ 100]. E pior, estabeleceu-se esse preço como verdade absoluta, quando nem mesmo o seu idealizador consegue realizar o que prometeu"
Como lembra a Folha de São Paulo, a OLPC lançou a idéia, disse que era possível realizá-la mas hoje se arrepende e admite que o mais barato laptop educacional que puderam fabricar custa aproximadamente US$ 200,00.

Enquanto isso, o atraso tecnológico abaixo da linha do Equador persiste, com a precária disseminação de modelos tecnológicos sustentáveis à inclusão digital brasileira.

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