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sábado, 1 de dezembro de 2007

Guarani Kaiowá fazem apelo à ONU

“Hoje estamos acuados à mercê da morte, não sabemos mais para quem pedir socorro e porque ninguém está preocupado em resolver nossa situação”. Esse apelo foi feito pelos Guarani Kaiowá, da Terra Indígena Ñanderu Marangatu, em carta enviada à Organização das Nações Unidas (ONU), no último dia 21. Segundo a carta, os indígenas encontram-se em situação alarmante desde que o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, suspendeu os efeitos do decreto presidencial de homologação dos 9,3 mil hectares da área indígena Cerro Marangatu em favor dos indígenas. Após a reintegração de posse em favor dos três fazendeiros proprietários da área, os indígenas foram despejados às margens da rodovia MS-384. Segundo a carta, os Guarani Kaiowá enfrentam a fome, a violência de pistoleiros contratados pelos fazendeiros. Eles concluem a carta com a indagação: “Apenas queríamos perguntar se aquele tratado que foi assinado pelo presidente do Brasil no dia 13 de outubro foi prometido apenas para ficar no papel? Ou só foi assinado para dizer que o país é bonzinho e tratava dos indígenas, pobres e negros com a maior atenção?”. Segundo o Coordenador do Conselho Indigenista Missionário do Estado, Egon Heck, Mato Grosso do Sul vive uma situação contrastante. Mais de 20 milhões de cabeças de gado dispõem de 3 a 5 hectares de terra por cabeça. Já para os índios Guarani-Kaiowá não há nem um hectare por pessoa. Ele acredita que o plantio da cana-de-açúcar, em ascensão no Estado, irá piorar a vida dos indígenas que vivem na região. Além de expulsá-los de suas terras, a monocultura ainda utiliza sua mão-de-obra como trabalho escravo e aumenta o nível de violência. Atualmente, mais de 60% dos assassinatos de índios no Brasil acontecem no Mato Grosso do Sul e com os Guarani-Kaiowás.


Fonte: CIMI; Boletim Notícias da Terra e Água 18

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