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domingo, 30 de dezembro de 2007

Dez crises ignoradas em 2007, duas já esquecidas e duas anunciadas para 2008

Medecins sans frontieres publicou a lista das dez crises humanitárias negligenciadas pela mídia em 2007.

Essa lista tem sido lançada há dez anos. Todos sabemos que existe uma greve dos roteiristas de cinema e TV nos Estados Unidos, mas é estranho como certas mobilizações que envolvem milhões de dólares têm tanta atenção enquanto milhões de pessoas mobilizadas por água, comida e remédios são esquecidas.

Somália
Dos últimos 15 anos, este foi o mais violento. Os confrontos entre grupos tribais, etíopes, tropas governamentais, soldados dos EUA e da União Européia deslocaram centenas de milhares de pessoas.

Zimbábue
Dos 12 milhões de habitantes, 3 milhões migraram para países vizinhos. 1,8 milhões são soropositivos, mas menos de um quarto deles recebem qualquer tratamento médico voltado ao controle do HIV. A população também é vítima de desemprego quase absoluto, inflação fora de qualquer controle, falta de alimentos e a política instável que caracteriza quase todo o continente africano.

Tuberculose
A doença mata 2 milhões de doentes por ano e 9 milhões por ano a contráem. Dos 900 milhões de dólares necessários para pesquisas por ano, apenas 206 milhões foram investidos em 2007. Nos programas dos MSF em
Armênia, Abkhazia, Geórgia, Camboja, Quênia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão, apenas 55% dos pacientes completaram o demorado, caro e tóxico tratamento.

Desnutrição
Por ano, 5 milhões de crianças morrem por desnutrição. Os principais focos do mundo são o Chifre da África, Sahel e o sul da Ásia.

Sri Lanka
Desde agosto de 2006, os conflitos entre tropas do governo e o grupo Libertação dos Tigres do Tâmil Eelam (LTTE) voltaram voltaram. São 25 anos de tensão, alternando bombardeios e curtas tréguas.

República Democrática (!) do Congo



As forças do líder Laurent Nkunda, grupos como Mai Mai e os hutus ruandeses das Forças
Democráticas da Libertação de Ruanda (FDLR, na sigla em inglês), além das forças das Nações Unidas estão em confronto, num país cujos índices de violência sexual contra civis estão entre os piores do mundo. Entidades de assistência médica não conseguem ingressar no país. Como conseqüência, surtos de cólega e doenças relacionadas à desnutrição aumentam. Doenças plenamente tratáveis, e de tratamento fácil, tornam-se epidemias.

Colômbia
A Colômbia tem o terceiro lugar no mundo entre os países com maior número de deslocados internos (perde o título apenas devido ao Sudão e à República "Democrática" do Congo). Grupos armados, paramilitares ou ligados ao narcotráfico (ou com as duas características) tomaram o controle de grande parte da área rural do país. Hoje, guerrilheiros tentaram acertar um avião em pleno vôo com um disparo de morteiro. Há uma semana, novamente erraram o disparo de morteiro que visava atingir à prefeita de Neiva, capital da província de Huila.

Mianmar
Apesar da repressão ser uma tragédia desde 1962, apenas com a marcha dos monges pela democracia, em setembro, o mundo, por algumas semanas, aparentemente importou-se com esse país. Entraves burocráticos impedem que assistência humanitária atravesse o território. Grupos internacionais temem que seus recursos sejam desviados pelo governo. Enquanto isso, os monges continuam presos.

República Centro-Africana

Vilas são saqueadas, pessoas em deslocamento são mortas nas estradas, devido ao conflito entre dezenas de grupos tribais. Como se não bastasse, são deslocadas para o interior da floresta, onde qualquer assistência é inviável.

Chechênia
A região do Cáucaso mantém sua instabilidade. Desde que com a desagregação da URSS a república da Chechênia foi obrigada a permanecer vinculada à Rússia, chechenos lutam por sua independência. A república tem sido tratada pelo governo russo como inimiga. Das dez calamidades, porém, é o único lugar onde há reconstrução dos ambientes bombardeados nos últimos dez anos.

Infelizmente, como a presença dos MSF é o parâmetro para a lista, as tragédias do Iraque e Afeganistão pela presença americana nos últimos anos não entraram na lista. É difícil avistar nas fotos aéreas prédios maiores que um andar em ambos os países devido aos bombardeios incessantes. Sobre o Iraque hoje, clique aqui.

O Paquistão perdeu, na última semana, a esperança democrática ao perder Benazir Bhutto. Seus seguidores iniciaram conflitos contra o governo, contra os opositores a Bhutto e o país parece ter recomeçado uma série de atentados que serão assunto em 2008.
Para mais informações sobre o Paquistão hoje, clique aqui e aqui.

Hoje, o Quênia deu sinais de que será mais uma grande crise ignorada em 2008. Mwai Kibabi foi reeleito presidente do país. As manifestações resultaram, até a tarde de hoje, em 15 mortes. Segundo declarou o observador da União Européia, Alexander Graf Lambsdorff, a credibilidade nas eleições ainda não estava assegurada. Para mais informações, clique aqui.

2 comentários:

Juliana Freitas disse...

Faltou uma(?) na lista: Oaxaca, no México! O bicho pegou, e pegou feio, por lá!

Elis Marchioni disse...

Muito boa a lista. Vou replicá-la em meu outro blog (dentro do multiply). Coloco o crédito para o seu blog, ok?
Gstei de sua visita em meu espaço, é sempre tão bom receber amigos do Norte e do Nordeste...
Eu, que moro em SP, às vezes me pergunto o que estou fazendo aqui.
Um grande abraço.

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