Translate

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Notícias dos movimentos ligados à CPT

Via Campesina realiza protestos em vários países contra a empresa Syngenta Seeds


A Comissão Coordenadora Internacional da Via Campesina (CCI) e organizações amigas organizaram, no dia oito de novembro, um protesto em frente à transnacional suíça Syngenta Seeds em diversos países. O ato foi realizado em solidariedade ao camponês Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, do MST, assassinado em 21 de outubro deste ano durante uma tentativa de reocupação, pela Via Campesina, da área destinada a experimentos com transgêncios em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. A responsável pela morte de Keno é a empresa de segurança contratada pela Syngenta. A CCI pediu que a população entregasse ofícios às embaixadas da Suíça e do Brasil com demandas à expropriação das áreas da transnacional para a produção de sementes e a sua expulsão do país. A Via Campesina também pediu que o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, adote medidas para assegurar a integridade física dos camponeses ameaçados pelos seguranças contratados pela Syngenta. No dia 21 de outubro, a área da empresa foi ocupada pela segunda vez por cerca de 200 integrantes da Via Campesina. Eles denunciaram a realização de experimentos com organismos geneticamente modificados e a multiplicação de sementes de milho transgênico, o que não é permitido por leis federais e estaduais. A Anistia Internacional expressou sua preocupação pela segurança dos 200 agricultores sem-terra que continuam no acampamento Terra Livre, onde Valmir foi morto, e pediu que as autoridades investiguem o caso. O governo do estado do Paraná afirmou estar investigando a morte do camponês e do segurança responsável pelos disparos, que também morreu. O governo do Paraná demonstrou apoio aos ativistas. “Nós queremos essa gente fora do Paraná. Eles são um espinho em nosso lado”, afirmou o porta-voz do governo, Benedito Pires. Segundo o advogado de direito agrário ligado à organização Terra de Direitos, Darcy Frigo, os resultados das investigações devem sair no dia 21 de novembro. A Syngenta Seeds negou ter ordenado que a empresa de segurança abrisse fogo contra os camponeses.


Fontes: Adital e Dow Jones; Boletim Notícias da Terra e da Água ed. 17


OUTRAS NOTÍCIAS:


Relator da ONU visita assentamento onde ocorreu o massacre de Caramazal


O relator especial das Nações Unidas sobre execuções sumárias, Phillip Alston, visitou, no dia 11 de novembro, o Assentamento Pedro e Inácio, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), localizado no município de Nazaré da Mata, Zona da Mata pernambucana. Durante uma audiência pública, ele recebeu denúncias de diversas organizações e pessoas sobre casos de assassinatos ocorridos nos últimos anos em Pernambuco. Ele também se reuniu com familiares de vítimas e testemunhas. O MST entregou a Phillip um relatório escrito por diversas organizações e movimentos sociais sobre casos de execuções sumárias no Estado. O relator já visitou os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e após a visita a Pernambuco seguiu para Brasília. Segundo ele, Pernambuco foi escolhido por ter um alto índice de execuções sumárias, tanto na cidade quanto no campo. “Aqui temos diversos casos de esquadrões da morte atuando na cidade e no interior, além de muitos casos de pistolagem na zona rural”, afirmou. O assentamento Pedro e Inácio foi escolhido por simbolizar a impunidade dos crimes cometidos contra trabalhadores rurais no Estado. Há mais de 10 anos, em nove de julho de 1997, dois trabalhadores rurais sem terra do MST foram executados por pistoleiros em uma ocupação no Engenho Camarazal. O caso ficou conhecido como Massacre de Camarazal e ninguém foi punido pelos crimes. Ainda em 1997, a área foi desapropriada e as famílias foram assentadas. O assentamento passou, então, a se chamar Pedro e Inácio, em homenagem aos dois companheiros mortos no massacre. A CPT juntamente com a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos produziu, esse ano, um documentário sobre o massacre, com o título “Armas não atiram rosas”. Segundo dados da CPT, de 1995 a 2006, um total de 468 trabalhadores rurais foram assassinados no Brasil. Deste número, 109 ocorreram na região Nordeste, 39 somente em Pernambuco, onde todos esses crimes continuam impunes. (fonte: MST Pernambuco)

Morre um dos principais líderes do povo Terena


O movimento indígena está de luto pela morte de um de seus maiores líderes, Jorge Miles da Silva, conhecido como Jorge Terena. Ele faleceu na tarde do dia nove de novembro, na UTI do Hospital Santa Júlia, em Manaus (AM). Jorge Terena foi um dos fundadores do Movimento Indígena Nacional e, como sociólogo, defendeu a participação mais ativa da juventude indígena nos movimentos de lutas sociais e a prática desportiva como um dos instrumentos de inclusão e enfrentamento das problemáticas indígenas. Jorge era sociólogo formado pela Universidade de Maryland (EUA), integrante do povo Terena (MS) e consultor etnoambiental da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). (fonte: COIAB)


Indígenas da tribo Guarani-Kaiowá sofrem com descaso

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra entregou ao presidente da república, Luis Inácio Lula da Silva, no dia 7 de novembro, um documento com denúncias feitas pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) do Mato Grosso do Sul. A entidade revelou a situação do povo Guarani-Kaiowá no Estado e exigiu medidas emergenciais para proteger as aldeias e seus habitantes. Até o final do mês de outubro deste ano, 35 indígenas foram assassinados, como Xuretê Lopes, uma senhora morta a tiros por um pistoleiro contratado por fazendeiros da região. Um bebê de um ano foi ferido por tiros de pistoleiros que tentavam assassinar toda a família enquanto dormiam. Neste mesmo período, 20 indígenas cometeram suicídio, a maioria entre 13 e 18 anos de idade. A desnutrição vitimou 8 crianças, quase todas recém-nascidas. Segundo informações da Funasa, 76,3% das crianças de duas aldeias estão desnutridas. (fonte: Conselho Indigenista Missionário)


EUA discute trabalho escravo no Brasil

O combate ao trabalho escravo no Brasil foi tema de discussão de uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, em Washington, no dia 6 de novembro. A embaixada brasileira em Washington, o Ministério das Relações Exteriores norte-americano, a OIT-Washington, a Witness for Peace, a Repórter Brasil e o coordenador da Campanha Nacional da CPT contra o Trabalho Escravo, frei Xavier Plassat, participaram da reunião. Além dos deputados norte-americanos Thelma Drake e Eliot Engel. O vídeo “Aprisionados por Promessas” da CPT/Cejil/Witness foi apresentado e levantou a discussão sobre a eficiência da política brasileira no combate ao trabalho escravo, apontando dois temas preocupantes tanto para o Brasil quanto para os EUA: a produção de ferro-gusa com carvão resultante de trabalho escravo, a expansão da cana-de-açúcar em condições de trabalho similares à escravidão e os prejuízos causados ao cerrado e à floresta amazônica. Uma comitiva de 14 membros do Congresso norte-americano deve visitar o Brasil entre os dias 25 de novembro e 1º de dezembro deste ano. Eles passarão por Brasília, Manaus, Salvador e Rio de Janeiro para discutir assuntos como agrocombustíveis, trabalho escravo, meio ambiente e comércio.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...