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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

XXVIII ENED

Na semana passada, aconteceu, em Maceió, o XXVIII Encontro Nacional de Estudantes de Direito. Segue texto de Nadja Marinho sobre o evento:

Domingo era o dia. Algumas dezenas de ônibus invadiam o campus da Universidade Federal de Alagoas repleto de estudantes vindos de todos os lugares do Brasil, desde o distante Acre até do frio Rio Grande do Sul, a fim de participar do ENED, o Encontro Nacional dos Estudantes de Direito. Tudo parecia perfeito, pois muito se falava da estrutura que fora montada pela organização, uma vez que a proposta era discutir o Direito crítico em contraposição ao positivado; a cidade ora escolhida para a realização do encontro tendo as mais belas praias do Brasil, até o momento em que se torna visível uma segregação entre os estudantes estão em busca do calor da nossa Alagoas e os outros, frise-se minoria, que queria firmar seus ideais.

Com ótimos temas a serem discutidos, visto que em sua programação contava com nomes de peso, como o do Prof. Luiz Humberto Pinheiro da Universidade Federal da Bahia, Joel de Almeida representando a Central Única dos Trabalhadores, César Brito que é presidente nacional da OAB, etc., para debater as reformas que o governo tenta fazer, sendo a política, a universitária e a trabalhista as escolhidas para tal, o que muito se via nos corredores era uma verdadeira guerra partidária. De “esquerda”, diga-se de passagem.

Observava-se gente de um lado pro outro vestido com camisetas que ou continha na sua frente uma enorme estrela vermelha simbolizando o Partido dos Trabalhadores ou bandeiras, com mastro e tudo, fincadas a frente de diversos alojamentos, amarelas e com o sol do P-Sol. Acaloradas eram as discussões que perduravam até altas horas da madrugada e quase chegam às vias de fato entre universitários divergentes que fazem parte da FENED, a Federação Nacional dos Estudantes de Direito, ou do CONERED, o Conselho Nacional dos Estudantes de Direito, quando estas tinham como objetivo mudanças pontuais no estatuto da Federação ou não. O bate-boca crescia à medida que eram citados os nomes dos adversários políticos no rol dos corruptos.

Em contrapartida a toda essa balburdia criada, por assim dizer, pelo movimento estudantil, existia um grupo de pessoas, esse contendo, no mínimo, 70% dos universitários presentes, carinhosamente chamados de “galera do oba-oba”. Imaginem o que é um jovem saber que está a quilômetros de distância da sua casa por uma semana numa cidade como Maceió? Pois bem, ao lerem a expressão enfatizada com as aspas, entenda-se que é constituída por indivíduos que vieram em busca de festa, pura e simplesmente, porém cumprindo, sempre que possível, a carga horária mínima de 50% de presença entre painéis[1] e gts[2], sem nem ao menos saberem o que raio eram os painéis e gts, para conseguirem o desejado certificado.

Durante os dias 29 de julho a 04 de agosto, os citados colegas da “galera do oba-oba” trataram de curtir as praias do litoral sul, as festas promovidas por particulares em locais mais remotos ou, quando São Pedro deixava, na própria UFAL, faziam suas refeições no recém reinaugurado Restaurante Universitário, dormiam em alojamentos e, principalmente, bebiam muito, diga-se de passagem. Em virtude disso pergunta-se: como controlar todo esse povo? Entra aí dois blocos: o da organização e o dos apoios.

Apesar da separação existente entre eles, visto que era inegável o grau de hierarquia que surgiu, os azulzinhos, como também era conhecida a organização do evento, eram compostos de pessoas que travaram uma luta árdua desde o último ENED na cidade de Campinas durante as primeiras articulações para o acontecimento deste em Alagoas até a saída da última delegação. Já o apoio, que trajava uma camisa vermelha, contava com estudantes no início do curso e sem tradição no movimento, em sua maioria, que eram o verdadeiro peão desta grande obra.

Não obstante via-se, em determinadas ocasiões, na face cansada de quem ali estava, seja trabalhando em qualquer dos lados supracitados ou terceirizados ou dos acadêmicos de Direito, um sorriso que demonstrava alegria, não pela integração entre os cursos em si que deveria ocorrer mediante conversas a fim de fazer a permuta de experiências vividas na realidade de cada um, mas pela confraternização que naquela semana ocorria diante as saídas e bebedeiras deles. Durante esta semana também foram celebradas as misturas entre o “bah” gaúcho, o “uai” do mineiro, o “cês” do goiano, o “bisxcoito” carioca, dentre outros, com o “oxe” tipicamente alagoano. Contudo, é uma pena que um evento deste porte esteja contaminado por pessoas que representam partidos e utilizam disso para propagandear, de certa forma, as práticas políticas exercidas pelo seu partido do coração colocando-o, inclusive, acima do próprio encontro e esquecendo, por vezes, a luta pelo social, uma das características mais marcantes do movimento estudantil.

[1] Debates que ocorriam na quadra poliesportiva com os palestrantes convidados sobre os temas posto.
[2] Grupos de Trabalho, também chamados de Grupos de Debate, no qual o público que participou do debate ria criar propostas para que a Federação levantasse a bandeira deste em busca da sua melhoria.

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