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terça-feira, 3 de julho de 2007

Que raios de protagonista sou eu?

Ana Karine Pimentel*


Fico pensando nessa famigerada junção de palavras que começou a percorrer o vocabulário da sociedade e principalmente da política ultimamente: protagonismo juvenil.

Segundo meu velho amigo, o dicionário, protagonizar significa desempenhar ou ocupar o lugar principal em algum acontecimento, filme ou obra literária. Diante disso, me vem a dúvida sobre o porquê deste tema ter virado o assunto da vez no último período se não é de hoje que principalmente no que se refere à política a juventude tem sido impulsionadora desse processo.

Ora, para definir então o que seria o tal do protagonismo juvenil podemos nos deter a idéia do que seja o despontamento da juventude em algum segmento na sociedade. Isto estaria ligado a diversos temas como cultura, política, responsabilidade social, desenvolvimento... Enfim, independente, o que quero me deter é a definição de protagonismo juvenil.

Os movimentos sociais e os partidos políticos adoraram a nova logomarca. Agora, qualquer seminário, reuniãozinha, aniversario de boneca tem que ter alguém pra tocar no assunto. Não que seja ruim que tenham voltado o interesse para a juventude, pelo contrario isso é muito bom, muito bom mesmo, contudo a forma como se apropriaram do tema, principalmente os partidos, nos parece equivocada.

Reconheço contudo que os partidos e os movimentos sociais, por sua vez, têm papel fundamental nesse negocio de protagonizar. Historicamente, são eles que têm organizado o povo (e a juventude) nos processos de grande reviravolta social. Porém, e principalmente, é o Movimento Estudantil a casa-mãe da juventude. Afinal, é este movimento quem aglutina na sua grande maioria uma militância extremamente jovem.

Poderíamos tratar de uma escala que eu chamaria de índice de crescimento e desenvolvimento da militância social. Refiro-me tão somente à militância de esquerda, pois é a que bem conheço. As demais não teria subsídios suficientes para analisar.

No que se refere ao Movimento Estudantil, a moçada se insere no grêmio ou nos Centros Acadêmicos, passa pelo Diretório Central dos Estudantes, chega a Executiva ou Federação de curso e se até lá não tiver se formado ou se frustrado com o movimento enlarga a estrada ingressando no partido político definitivamente, ressaltando-se que a maioria se filia ao partido ainda na Universidade.

Depois de formado começa uma nova etapa de militância, a depender do grau de desenvolvimento da pessoa militante (preferi usar pessoa pra não ter que ficar colocando a ou o do lado da palavra que eu usar... ando sem paciência para essas coisas). Esse desenvolvimento acontece ainda na militância estudantil, é o destaque que evoluiu politicamente, que leu Marx, Engels, Mao, Gramsci e que se inseriu no meio de outros movimentos sociais ganhando reconhecimento entre eles. Essa pessoa,ingressará em seu sindicato,na expectativa de organizar ou tornar combativa sua classe. Depois, quando garantir a tão sonhada estabilidade econômica(ou ate antes disso,porque diante dos rumos do país é meio difícil alcançar esse patamar) se inserirá na articulação mais madura com os movimentos sociais,podendo inclusive oferecer seus serviços e sua militância a eles.

Mas, por que falar disso tudo pra falar de protagonismo?Respondo-lhe com veemência essa pergunta: Porque é mais fácil falar de protagonismo juvenil (daqueles que deram certo, que se destacaram) do que deterioração,marginalidade, exploração, desemprego e tantos outros adjetivos que tem se identificado muito mais com a juventude que há alguns anos atrás. Por que isso nos remeteria a um assunto que já esta nos tirando a paciência e que também é uma palavra nova que adentrou ao vocabulário do povo que é essa tal de conjuntura nacional.

Por fim, aos meus 23 anos de sonho, de farra e de América do Sul continuo martelando na minha cabeça esse tal de protagonismo juvenil e confesso que tenho duvidas a respeito. Conheço tanta gente que se destaca que avança que recria todo dia uma forma de viver e, no entanto ninguém lembra de dar nome aos bois, sequer de ganhar aquelas fajutas medalhas de honra ao mérito...

Pensando assim, vou continuar nessa minha incansável luta de mudar a sociedade começando por mim mesma, repensando que raios de protagonista sou eu.

* Estudante de História da UFAL
Militante do MST em Alagoas
Colaboradora semanal deste blog

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