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segunda-feira, 25 de junho de 2007

Outra História é Possível

De Ana Karine Pimentel*

Na última sexta feira pude participar do ato de lançamento dos livros Serra dos Perigosos e Resistência, Memória e Etnografia de autoria de alguns intelectuais do Estado de Alagoas. Confesso que a euforia da participação do evento só aumentava ao ver a alegria exposta no olhar dos que o lançavam. De certo, uma vitória para academia, para os movimentos sociais e para a sociedade no mesmo dia em que morreu o tão ilustre Professor Manoel Correia de Andrade.

Abro parênteses:

“Fico pensando: seriam para compensar certas perdas que nos aparecem algumas obras? Até quando fomentaremos novos escritores acreditando que somos os últimos a seguir outra linha? Seria, pois anormal o dia em que alguém do bojo da universidade e que não estivesse, necessariamente, ligado a política partidária de esquerda escrevesse sobre os menos favorecidos?Respostas para estas perguntas ficarão na angustia de uma simples militante como eu, mais não me farão perder a dimensão da importância de reflexões como estas para a condição de individuo e para revigorar nossas forças e prosseguirmos avante na luta.”

Com ênfase em alguns nomes de destaque, ícones da pesquisa histórica alagoana e de relevante contribuição para o patrimônio histórico-cultural do país o lançamento de tais livros nos remete a importância do reconhecimento da possibilidade de escrever outra historia social.Afinal,diferente da história contada oficialmente e através de aguerridos escritores, Alagoas tem lançado nos últimos tempos ao país a possibilidade de repensar a história social através de um enfoque diferente daquele imposto pelos que dominam o poder e o conhecimento.

Figuras de expressão na sociedade como Sávio de Almeida, Dirceu Lindoso, Cícero Péricles e outros tantos fazem parte daqueles que tem deixado seu legado a comunidade alagoana e em especial aos movimentos que por aqui subsistem.A bravura e a coragem com a qual se escreve sobre determinado segmento social e para este mesmo segmento tem servido para estimular e avançar no processo de construção de uma nova visão da sociedade sobre estes mesmos segmentos,uma visão que contrapõe o imaginário social,o senso comum e o perfil imposto pela mídia.

Falar de índios, de sem terra, de sem-teto e de sem outras tantas coisas passou a ser não só assunto de capas de jornais ou de suas paginas policiais, é agora, assunto de academia,de gente respeitada de intelectual consciente.Viver a realidade dos sem acesso e contá-la, repensá-la, revivê-la precisa ser característica de nossos outros profissionais da universidade,precisa ser o primeiro passo da responsabilidade social que defendemos.

O dia 22 de junho ficará marcado na memória e na historia do País,não só pela morte do conhecido homem do nordeste mais pelo surgimento de mais uma obra voltada para as minorias.
É a certeza que precisamos continuar avançando na expectativa de Globalizar a luta,Globalizar a Esperança.

* Estudante de História da UFAL
Militante do MST em Alagoas
Colaboradora semanal deste blog

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