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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Comparando programas de ajuda à África

"Fiz um comentário a propósito do seu ultimo post: uma publicidade em que se recrutam jovens sem experiência para ir formar as pessoas pobres em matérias que desconhecem. Ou seja, se for caridoso, diria que esses jovens irão previamente beneficiar-se de uma formação para depois reproduzi-la cá entre nos. Com todos preconceitos e tudo. África precisa de todos para ser ajudada a crescer. Mas também e sobretudo, precisa de boas pessoas. Isto na verdade, nao passa de promoção de emprego para os brasileiros, coisa que não e absolutamente nada mau para o pais. mas bastante perigoso para o tipo de conhecimento que eles pretendem incutir nos "africanos" sobre seus próprios problemas. E porque não virem pra cá e aprenderem connosco?Isto e politica. Mais nada disse.Um abraço amigo. De Moçambique Egídio "

Egídio traz uma questão relevante. Por isso, antes foram expostos os termos dos Médicos Sem Fronteiras. Segundo o programa dos EUA, alguém inexperiente e sem formação específica será responsável por treinar professores, mobilizar comunidades e "melhorar as condições de vida para as crianças". Não restam muitas hipóteses: recrutarão jovens pretensiosos ou não têm tanta preocupação com metas para serem cumpridas.

Entre os Médicos Sem Fronteiras, em seu endereço na internet, os critérios de seleção são:

"- motivação pelo trabalho humanitário;- qualificação profissional em sua área de atuação;- experiência profissional comprovada;- disponibilidade e vontade de trabalhar fora do Brasil, por pelo menos 12 meses;- ótimos conhecimentos em francês e/ou em inglês;- conhecimentos em informática;- flexibilidade, adaptabilidade, sociabilidade, facilidade e interesse por trabalhar em equipe;- capacidade de lidar com grande carga de trabalho e de trabalhar em condições por vezes difíceis;- estar em boas condições de saúde física e psíquica.
Outros critérios desejáveis são os seguintes:
- experiência de trabalho em regiões remotas e/ou com poucos recursos;- experiências de viagens pelo interior do Brasil e/ou por outros países em desenvolvimento;- conhecimento de outras línguas estrangeiras."

A diferença é espantosa. A África é um continente, em que cada país tem suas particularidades, formação cultural, idiomas, história próprios. Não é moralmente aceitável confundir os países entre si e lidar com nações inteiras com amadorismo. Os Estados Unidos ainda precisam aprender muito sobre o mundo. Afinal, não é raro encontrar quem se refira dentro dos limites estadunidenses a diferenças entre "norte e sul" no próprio país. Moro num estado da região Nordeste do Brasil, mas é comum quem se refira na imprensa "nacional" ao "Nordeste" genericamente, alimentando preconceitos e desinformando cada vez mais.


O programa American Idol anunciou por semanas que seus apresentadores sairiam do seu conforto nos EUA para conhecer a África. Não fica claro o que fizeram lá além de um "turismo humanitário" tentando "salvar" a população apenas com a sua presença, expondo deliberadamente rostos famintos na TV. Divulgaram shows beneficientes para "ajudar" a África e a região do Mississipi nos EUA. Não pararam para ouvir dos "africanos" (não se sabe onde estiveram no continente) se preferiam esta "ajuda" à continuidade de guerras civis, acesso restrito a água potável, submissão econômica, entre outras mazelas sobre as quais os EUA não se manifestam.


Não se combate a miséria alimentando mitos nem semeando improvisos.

1 comentários:

Egidio Vaz disse...

Muito bem posta a questão. Não se combate a miséria alimentando mitos nem semeando improvisos.
Um grande abraço.

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