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sexta-feira, 2 de março de 2007

Trabalhadores rurais do Uruguai

Enviado por CMI-Brasil

Em 14 de janeiro deste ano, o grupo "Mandiyú" de pequenos produtores de leite- ocupou uma área de 388 hectares na Colonia Eduardo Acevedo em Bella Unión, no norte do Uruguai. Esta é a segunda ocupação no país, depois de que os "peludos" (cabeludos) tomassem há um ano atrás outros 32 hectares de terras que se encontravam abandonadas há mais de 10 anos.

Bella Unión, cidade situada no departamento de Artigas, é uma das zonas mais pobres do Uruguai. No limite com o Brasil, esta região está marcada pela pecuária extensiva e pela agricultura. O trabalho é escasso e em geral mal pago. Antigamente a região atraía muita gente que vinha trabalhar de "peludo", como são chamados os trabalhadores por safra (os bóia-frias) da cana de açúcar.

O Uruguai não escapa à realidade Latino-Americana, a terra está distribuida de forma desigual e a eterna promessa de uma reforma agrária nunca se cumpriu. Um 75% das terras é propriedade de menos de 8 mil pessoas e empresas. O Instituto Nacional de Colonización (INC)administra uns 500.000 hectares, um 3% da superfície do país.

Desde um ano atrás o INC tem permitido ao grupo Mandiyú pastorear suas vacas em suas propriedades, pagando arrendamento mas de forma precária e sem segurança jurídica alguma.

Em dezembro de 2006 venceu o último contrato, o que deixou os pequenos pecuaristas desamparados, à espera em qualquer momento da ordem de retirar seu gado do campo. Ao mesmo tempo, circulou a notícia de que outra terra de 600 hectares, no mesmo departamento, foi entregue a uma pessoa rica que não precisa da ajuda do INC. Finalmente não houve mais remédio que se declarar ocupantes da finca, como forma de evitar o próximo desalojo.

Hoje, uma vez mais, os trabalhadores rurais e pequenos produtores buscam o apoio local e a solidariedade internacional para freiar o desalojo, já que a decisão de ocupar as terras não é somente o resultado de uma posição política ou ideológica mas também é fruto da necessidade básica de alimentar suas famílias e de realizar uma vida digna e auto-gestionada. Como dizem em seu primeiro comunicado "Não pedimos favores, exigimos respeitar o nosso direito ao trabalho". já que estão fazendo "esta última e quase desesperada tentativa de seguir vivendo do campo e no campo".

As duas ocupações receberam o apoio de várias organizações e coletivos, como o Movimento (de trabalhadores rurais) Sem Terra do Brasil, e o MOCASE de Santiago del Estero, da Argentina. Os companheiros brasileiros já visitaram a primeira ocupação, intercambiaram experiências e trouxeram sementes. Em 22 de janeiro, em ocasião do sétimo Fórum Social Mundial realizado em Nairobi, no Quênia, algumas organizações como a Vía Campesina e Amigos da Terra expressaram sua solidariedade com a luta do movimento de ocupantes da terra do Uruguai.

Enquanto o governo se promove com o slogan "Por um país produtivo e com justiça social", os trabalhadores botam realmente em prática esse discurso. Defendem seu direito ao trabalho e a uma vida digna para não terminar como tantos uruguaios nos assentamentos urbanos e cinturões de pobreza da periferia da capital. Os trabalhadores rurais estão cansados das promessas não cumpridas de reforma agrária, de uma distribuição justa da terra e por isso decidiram fazer-se cargo eles
mesmos e se tomar o legítimo direito de viver da terra na qual trabalham.
Mais informação, clique aqui.

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