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sábado, 27 de janeiro de 2007

A Política como nossa Vocação


Na reportagem de capa da Revista Veja desta semana, foram divulgados os números de uma pesquisa do Instituto Ibope Opinião sobre o Congresso Nacional. Seguindo uma tendência internacional, o descrédito ao Parlamento é flagrante. Eis alguns exemplos destacados pela revista: apenas 3% dos brasileiros ouvidos pela pesquisa afirmam acreditar que os congressistas representam e defendem os interesses da sociedade, uma imensa parcela de brasileiros (84%) acha que os parlamentares trabalham pouco e 52% consideram que não passa de 10% o número de bons deputados e senadores do país.

A representação política não é mais deixada aos cuidados dos agentes públicos eleitos. ONGs, denúncias ao Ministério Público, Igrejas, entre outras instituições prezam pelos seus membros coletivamente, pressionam a opinião pública e as autoridades, levando de carona vereadores, deputados estaduais e deputados federais que tenham afinidade com aquelas causas. Mesmo assim, são os políticos eleitos que promulgam e alteram leis, que fiscalizam e vetam gastos nas contas públicas, que julgam a perda de mandato de autoridades. É um desgaste dos três poderes que a eleição do presidente da Câmara dos Deputados não seja acompanhada, segundo a mesma pesquisa, por mais que 80% da população brasileira.

46% dos deputados e 30% dos senadores terão seus primeiros mandatos no Congresso Nacional. A revista saúda como uma possibilidade de mudança. Contudo, pode ser também um sinal de imaturidade política nacional. Não termos uma classe política que continuamente possa nos representar, exigindo renovação rápida dos seus quadros, é sinal de instabilidade institucional da República, esse sonho distante do Estado brasileiro, como o pleno emprego e a paz mundial.

Há um grupo na Câmara chamado de Grupo dos 30. São parlamentares comprometidos com o papel ético da função de deputado. Contudo, o número total de deputados é superior a 500. Assim, estatisticamente e nas votações do Congresso, teremos a garantia de bastante barulho, muitas denúncias e pouco quórum para apurar irregularidades. Nada diferente dos últimos anos.

Deixar a política institucional nas mãos dos políticos profissionais é algo perigoso. Quanto maior a distância de nós, mais fácil que sejam reeleitos sem representar algo além da própria vontade.

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