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terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Fala que eu te escuto

Na última semana, o Fala que eu te escuto, da Rede Record, deu uma demonstração de liberdade de expressão rara na TV brasileira. O programa, após mais uma declaração de discriminação aos cultos afro-brasileiros, ouviu uma telespectadora criticando as informações divulgadas.

A novidade foi que o bispo não pediu comerciais, não pediu para a senhora aguardar. Todo um bloco do programa foi dedicado a um debate entre o bispo e a telespectadora. De modo respeitoso, o bispo lembrou que a igreja já foi processada por racismo antes, argumentou sobre tudo que ela afirmava, convidou-a para visitar a igreja para receber a gravação do programa e continuar o diálogo.

Bill Gates, na última semana, afirmou que a TV se transformará nos próximos 5 anos, com interação cada vez maior do telespectador. De modo ainda muito analógico, a TV tem cedido espaço para algo neste sentido no Brasil. Há um número cada vez maior de programas ao vivo, com participação de telespectadores por telefone, e-mail e mensagens de texto.

Quando o bispo argumentou que não poderia mudar o programa sem a cúpula da igreja autorizar, ela lembrou que TV é uma concessão pública, que pode ser cassada se for de interesse da nação. Ele defendeu-se com a liberdade de expressão e de crença, além de procurar demonstrar que todas as afirmações teriam amparo bibliográfico. É mais um espaço aberto para apelos coletivos serem transmitidos para a mudança do perfil da TV brasileira.

Voltando às declarações do bispo, fica uma sugestão. É muito mais produtivo e didático que use sua liberdade de crença e de expressão para informação sobre sua própria igreja do que para ataques à fé alheia. Nem todos têm o espaço privilegiado na mídia, donos de uma emissora líder de audiência em diversos horários. Respeitar a diferença é o fundamento das liberdades a que se refere o bispo, não encobrir preconceitos.

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