Translate

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A história dos direitos humanos (legendado)

Leia Mais…

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Esquerda e direita: o ódio é ambidestro

Não me refiro ao ódio entre militantes e intelectuais situados ideologicamente de um lado ou do outro. O ódio mais comum hoje é um discurso do ódio extremamente disseminado e sem um centro. Importa eliminar tudo que seja diferente, estranho, incômodo. Enquanto isso, Esquerda e Direita isolam-se.

De um lado, tem prevalecido a defesa da intervenção estatal e da ação coletiva para a transformação social contínua; do outro, a livre iniciativa e a vontade individual para a preservação de conquistas sociais. Não é muito difícil imaginar estas diretrizes em completa oposição, mas é uma divergência que pode ser expressa racionalmente. Cabe em debates, textos acadêmicos, sem dificuldades. Por isto mesmo, é cada vez mais próxima de algo anacrônico.

É anacrônico tudo que já não corresponde mais ao tempo vivido. Falar em divergências racionais está cada vez mais próximo de alguma coisa assim. Se examinarmos como pressupostos os aspectos de Direita e Esquerda do parágrafo acima, enquanto ativistas e formadores de opinião posicionam-se contra o espectro oposto, discursos homofóbicos, racistas, sexistas, xenófobos e elitistas proliferam.

As piadinhas em redes sociais entre militantes dos dois lados mais parecem as picuinhas entre torcedores de times de futebol. São plenamente inofensivas, quando comparadas ao potencial de, para ficar em exemplos institucionais de hoje em dia, pôr em votação no Congresso Nacional a possibilidade de entidades religiosas proporem ação declaratória de inconstitucionalidade. Não é difícil imaginar que Esquerda e Direita deveriam ter algo a dizer sobre isso; porém, estão ocupadas criticando as posturas mútuas sobre livre mercado, socialismo, pois as metas abstratas e alcançáveis apenas ou a longo prazo ou jamais são mais fáceis de defender sem se comprometer. 

Há zonas cinzentas em que se aproximam. A luta contra corrupção no Brasil, a defesa do microcrédito como forma de sair da miséria absoluta, o Estado democrático de direito, a liberdade de expressão. Porém, aqueles que falam sobre os temas não costumam estar de acordo com os partidos políticos à esquerda e à direita no Brasil; que andam de mãos dadas (sejam elas esquerda ou direita) para dividir recursos públicos, ideologias bem à parte.

Seria cômico se não fosse crônico ver algo assim, como debates que acompanho há anos por dever de ofício entre defender mais igualdade ou mais liberdade. Enquanto isso, milhares de brasileiros mofam nas celas sem condenação alguma por meses ou até anos, aguardando julgamento; enquanto isso, a desigualdade é pregada por lideranças midiáticas e religiosas diuturnamente; a igualdade e a liberdade são debatidas retoricamente e restritas à retórica, sem levar em consideração o sofrimento na esquina.

Que possamos bater palmas, esquerda com direita, contra a expansão da intolerância que nos atropela a cada instante. Sendo chamados de individualistas ou coletivistas, se nos expressamos a partir da razão temos um dever ético de explicar ao máximo possível de pessoas o quanto ameaça as conquistas civilizadoras dos últimos séculos acreditar que se tem o direito de querer expurgar, ameaçar, condenar, perseguir todos que pensam de modo diferente. O espaço público para quem fala movido pelo ódio é cada vez maior. 

Os debates entre Esquerda e Direita contra ou a favor deste ou daquele ex-presidente da República são na TV Cultura. Os debates em que deputados racistas, homofóbicos, enfim, que baseiam seus mandatos em odiar e desprezar parcelas da sociedade atingem milhões de espectadores. Estamos desperdiçando nossa oportunidade de ser formadores de opinião de verdade. Ser ouvido envolve se aproximar de quem pensa diferente, de quem ainda está formando suas ideias, de quem não percebe a importância de certos fatos. 

Discutir o sexo dos anjos era a medida segura encontrada pelos monges medievais para estudar por prazer sem responsabilidade social. Quando reduzimos nossas ideologias a algo análogo, não estamos à esquerda ou à direita, mas com as mãos viradas para trás, escondidas do olhar público, protegidas de uma dialética do esclarecimento. Usamos a razão, mas não para trazer os problemas à luz da razão. Resta ficar cada vez mais distantes do Iluminismo, do bom senso e da vida em sociedade.

Leia Mais…

Estudantes podem concorrer a bolsas para formação em artes circenses

Notícia da FUNARTE

Estão abertas as inscrições para a Bolsa Funarte de Formação em Artes Circenses 2013. Até 24 de maio, estudantes de todo o Brasil podem se candidatar a uma das 50 bolsas oferecidas pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), no valor de R$ 20 mil cada, sendo dez para cada região. Os selecionados farão o Curso Básico de Artes Circenses da Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro. Com duração de dez meses, o curso terá início em 5 de agosto de 2013.
 
Podem participar da seleção brasileiros entre 18 a 25 anos, completados até 4 de agosto de 2013. Para a inscrição, os candidatos devem enviar um DVD contendo gravação em vídeo das habilidades específicas descritas no edital. Os projetos serão analisados por uma comissão, formada por professores e técnicos da Escola Nacional de Circo. Os 50 primeiros colocados na segunda etapa do processo seletivo, respeitando a regionalidade, serão submetidos à demonstração presencial para comprovação das habilidades gravadas no DVD.

Com esse edital, a Funarte pretende ampliar a formação em artes circenses na Escola Nacional de Circo e a federalização de suas ações, fomentando a cadeia produtiva do circo, na área da formação, ampliando o quadro de alunos da referida escola com jovens das diferentes regiões do país.

Acesse o edital aqui
http://www.funarte.gov.br/edital/bolsa-funarte-para-formacao-em-artes-circenses-2013/

Leia Mais…

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Contra a PEC da Impunidade

O Ministério Público tem sido responsável por grande parte das denúncias que tomamos conhecimento envolvendo políticos e poderosos empresários. Suas investigações atingem o que, por vezes, a polícia encontra obstáculos para fazer por amarras do Poder Executivo.

Infelizmente, está em tramitação no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição que retiraria do MP seu poder de investigação, o qual ficaria restrito à polícia. É significativo ver que os promotores estaduais, os procuradores federais, procuradores do trabalho estão aliados pedindo para trabalhar mais, trabalhar às vezes com medo, perseguidos, com escolta 24 horas. Seria mais fácil aceitar omissos a diminuição de trabalho, mas em termos éticos a derrota social seria absurda.

Liderada por Paulo Maluf (não é piada), a PEC deve ser votada nos próximos dias. Por todo o país, o Ministério Público tem recolhido assinaturas contra. Se você não quer que o que já é difícil se torne impossível, a punição de quem desfalca as riquezas nacionais e o patrimônio público, de quem desrespeita direitos garantidos à população, então procure o Ministério Público em seu estado. 

Atos públicos estão acontecendo por toda esta semana. Aqui, em Alagoas, será de manhã na sexta-feira. Não se satisfaça com abaixo-assinados virtuais, a mobilização física e visível é necessária para fazer efetiva pressão política.

Leia Mais…

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Papa é pop e me representa

Há campanhas nas redes sociais contra o deputado racista e homofóbico Feliciano, "Eu... e ele não me representa". O deputado já falou que negros são amaldiçoados, é contra o Estado laico, rejeita direitos a homossexuais, entre outras bandeiras baseadas no ódio coletivo, mas ao mesmo tempo falando que em nada seu trabalho como deputado se separa de sua atuação como pastor neopentecostal. 

Nada melhor do que ver o comportamento tão diferente do Papa Francisco. Demorei para falar sobre ele para esperar o que viria. Ele mostrou que sabe bem o poder simbólico que os gestos têm, então rejeitou o trono dourado em nome de uma cadeira de madeira para os eventos públicos; lavou pés de jovens presidiários na Páscoa, pediu a bênção aos leigos na sua entronação, pediu ajuda às vítimas para agir severamente contra os pedófilos na Igreja. Enfim, contra os discursos de ódio vem alguém falar em amor, perdão e humildade. Um franciscano-jesuita como Papa pela primeira vez.

Por não ter religião alguma, nem fé teológica nem algo semelhante, posso deixar claro que não me representa por ser batizado neste ou naquele credo. Também não interessa a esta reflexão fomentar ridículas guerras religiosas entre católicos e protestantes; que se entendem cada vez melhor. O problema está entre agentes públicos com posturas bem distintas.

O Papa é chefe de Estado. O outro é deputado federal. O primeiro tem se preocupado em deixar clara uma postura que possa ser seguida pela Igreja institucionalmente; o segundo não pensa no impacto republicano dos seus gestos de ódio. 

Nos últimos dias, tem se endurecido a prática desagradável da vida privada virar ato público. Uma cantora disse que faria de tudo para curar um filho se fosse homossexual; outra, divulgou logo em resposta que tem um casamento gay. A intimidade como gesto de protesto passa então a ser a bola da vez, com cada um tendo que dizer pra que lado samba ou de que lado da vida vai sambar. Não basta defender direitos iguais em tal contexto, é preciso se rotular. É a vitória do argumento "ad hominem", segundo o qual somos interpretados a partir de quem somos, não a partir do que pensamos e afirmamos publicamente. 

A postura do Papa é muito mais próxima de algo republicano. Deixa evidente uma posição pessoal nos seus gestos, mas o faz de um modo que não abala sua postura de líder religioso e de chefe de Estado. O deputado afirma que negros são amaldiçoados desde Noé (sim, ele disse isso) em defesa a um inquérito no Congresso; ou seja, não sabe que é deputado do Congresso NACIONAL, que não fala apenas para quem o elegeu e que, mesmo estes, não necessariamente concordam com cada gesto dele. Acha que é um pastor quando defende a segregação em vez da integração do rebanho, rejeita ovelhas com distintas cores ou orientações sexuais, em vez de seguir o exemplo de Jesus e falar de amor.

Não tenho boas perspectivas sobre onde tudo isso pode chegar. A necessidade de exposição da vida privada já nos conduziu historicamente a perseguições a diversos grupos da sociedade, assim como o reconhecimento do Estado laico e a construção da ordem republicana permitiram impor freios àqueles que dominavam pela fé, pelo ódio, por sentimentos pessoais contra outrem. É bom ver, então, dentro de uma religião tão grande, alguém que é dissonante de tamanha intolerância institucionalizada.

Leia Mais…

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Semana Mundial do Autismo, no CESMAC

Hoje, 3 de abril, às 17:00 h, na sala 6 do Íris II do CESMAC, haverá uma palestra sobre o Autismo, que será ministrada pelas psicólogas Silvana Paula e Daniele (Curso de Psicologia) e por mim (Curso de Direito). Será expedido certificado, que contará como 20 horas para as Atividades Complementares. Não são necessárias inscrições prévias.

Leia Mais…

domingo, 10 de março de 2013

Por que Feliciano faz bem à Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Tem causado grande controvérsia a escolha do deputado federal e pastor evangélico Marco Feliciano à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O deputado, além de acusações por negócios no mínimo estranhos, tem acumulado declarações públicas contra homossexuais e negros, além de já serem um sucesso nas redes sociais os vídeos dele abusando financeiramente de seus fiéis, como o hilário caso em que recebe de um fiel o cartão de crédito mas não a senha e reclama por isso.

Passeatas já surgem, muitas publicações contra a escolha têm sido publicadas em jornais e blogs. Porém, gostei da escolha, com todos seus defeitos. Ela escancara o que é nosso Congresso Nacional. Evita ilusões democráticas e de inclusão social sobre uma estrutura viciada e omissa sobre a sociedade que a elege.

Devido à escolha, torna-se possível perceber como aqueles que defendem os reitos humanos em público, principalmente à esquerda, têm pouca expressão política no Congresso. Não vi suas manifestações de protesto entre outros parlamentares, pela TV Câmara, mas apenas timidamente em suas contas de Twitter e entrevistas para jornais. Além disso, quando havia sido a última vez que alguém havia ouvido falar da Comissão de Direitos Humanos no Congresso? Lembremos que para desaparecidos políticos prefere-se criar uma Comissão da Verdade; seu sentido se manteve tão vazio que qualquer um, e agora está provado que qualquer um mesmo, poderia presidí-la. 

O deputado é tão inexpressivo que quer usar a comissão para modificar posições do Supremo Tribunal Federal por meio de projetos de lei sobre uniões homoafetivas e já afirma que ser deputado e ser pastor não são muito diferentes. Falta um Gabeira, que apontou o dedo em plenário para Severino Cavalcante quando este presidia a Câmara e disse que ele não deveria representar aquela casa legislativa. Mas, falta principalmente porque não há qualquer interesse institucional por esta comissão. O deputado pensa que pode fazer muito, como pensaram os presidentes anteriores da comissão, igualmente deixados isolados onde pouco podem fazer além de falar muito e, às vezes, chamar alguma atenção levantando polêmicas.

Leia Mais…
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...