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domingo, 7 de agosto de 2016

Convenções para Todos


Aconteceram grandes eventos nas cidades de Alagoas, preste atenção nas ruas da sua. Foram as convenções partidárias.

No fim de semana passado, começaram as convenções de partidos políticos apresentando os candidatos das próximas eleições municipais. Aqueles que disputarão cargos de prefeito e vereador falam com quem estiver presente, não importa se você é filiado ao partido.
É um acontecimento típico das democracias. As convenções dos dois maiores partidos nos Estados Unidos, uma das democracias modernas mais antigas que temos, são tão importantes quanto as eleições. As principais discussões, os temas que poderão dirigir as campanhas, aparecem na ocasião.
A mobilização de pessoas nessas ocasiões mostra que a expectativa por eleições éticas e com representantes vinculados aos interesses do povo têm sido constantes no estado. Dão sinais de que é possível fazer grandes mudanças no nosso cenário político mas, para isso, é preciso participar.
Não se trata do primeiro dia de campanha eleitoral, mas de uma mobilização para que os partidos mostrem as ideias que defendem, o que liga seus filiados, quais as ideias comuns entre seus candidatos, sendo possível que você em seguida não apenas tire fotos, aperte a mão (não é hora para as práticas da campanha), mas de fato converse com quem pode ser que te represente dentro de alguns meses.
Acompanhe com atenção a agenda das convenções da sua cidade e, caso não possa ir, leia sobre o que foi apresentado no evento. A democracia amadurece muito com isso.


Publicado originalmente em: http://conexaocolonia.com.br/colunista-sergio-coutinho-convencoes-para-todos/

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domingo, 22 de maio de 2016

Andei falando sobre Caio Prado Jr.

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Desafios com o Presidente Temer

Em seu discurso de posse, o presidente Michel Temer disse mais de uma vez que não há o que comemorar e que o desafio é grande. Porém, o desafio posto para a esquerda, partidos de oposição e movimentos sociais, é gigantesco, mostrado por seu ministério.

É preciso lembrar que pouco antes da sua posse chegou à Comissão de Constituição e Justiça no Congresso a Proposta de Emenda à Constituição que dispensa licenciamentos ambientais para obras públicas. O autor da PEC é agora Ministro da Agricultura. Líder da bancada ruralista, Blairo  Maggi é antigo adversário de movimentos de trabalhadores sem terra e defensor de iniciativas que agradam ao latifúndio nacional. As dúvidas sobre nosso meio ambiente, sobre a função social da propriedade agrícola, energias renováveis entre outras questões se agigantam.

O presidente nomeou ministros que estão sob investigação da Operação Lava Jato. Sem novidades, pois a presidente anterior nunca se incomodou em ter ministros investigados e os defendeu explicitamente, porém no momento político que vivemos é um descaso com a operação que o próprio Temer já disse que apoia a continuidade, concedeu foro privilegiado para pessoas de quem devia manter distância.

Temer não parou por aí. Em sua posse, logo após anunciar seus ministros recebeu convidados para uma oração em seu gabinete. Até então, problema algum que expresse sua fé para enfrentar pressões tão grandes. Contudo, não agrada nada a defensores de direitos humanos saber que Silas Malafaia foi o pastor que comandou o evento. As posições homofóbicas, criacionistas e intolerantes em geral do pastor exigem um esclarecimento sobre que papel ele tem exercendo influência sobre o presidente.

Mas voltemos aos Ministérios. A secretaria especial de direitos humanos está subordinada ao Ministério da Justiça, cujo ministro tem péssimo histórico de confrontos com professores em São Paulo, como secretário de segurança. Educação e Cultura fundidos (com "n" ok?). Programas sociais com promessa de auditoria para reduzir seus beneficiários. Se era preocupante termos o congresso mais conservador em décadas na presente legislatura agora temos o presidente mais conservador desde muito tempo.

Por todo o mundo, tem predominado que as democracias procurem distribuir cargos que respeitem a diversidade étnica e sexual da sociedade, tendo mulheres, negros entre seus membros. O presente ministério é branco, acima dos 50 anos e sob investigação. A mensagem conservadora se mantém do pior modo possível. A propósito, a secretaria nacional dos direitos das pessoas com deficiência também acabou, apesar de contarmos com nova legislação e novas políticas públicas sobre este público.

Seriam muitos os problemas mas o maior deles é termos alguém inelegível, ficha suja por condenação em tribunal por crime eleitoral, como presidente. Mais do que isso, ainda sob julgamento de processo de impeachment próprio na Câmara, contra a sua chapa com a ex-presidente no TSE entre outras investigações. Ele já concedeu algumas entrevistas, expressa-se bem em público, tem clareza e objetividade para dizer o que pensa, mas faz falta que alguém pergunte sobre essas questões. É preciso saber o que o presidente tem a dizer sobre seu mandato ser provisório (ele manteve em sinal de respeito a foto da presidente Dilma Roussef nas paredes) não apenas pelos 180 dias de afastamento de quem ele substitui, mas por que há motivos para que ele não complete dois anos.

Nossa democracia continua incompleta e imatura. Nossas instituições não colaboram.

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domingo, 15 de maio de 2016

Andei falando sobre Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda



Foram trabalhos para Ciência Política no curso de Ciências Sociais. 

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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sobre as Belas, Recatadas e "Do Lar"

A Revista Veja nessa semana publicou entre suas páginas, sem muito destaque interno, um perfil da candidata a futura primeira-dama Marcela Temer com o título que aqui repito: Bela, Recatada e "Do Lar". Virou um meme automático.

Sem controle da revista nem seu marketing, propagaram-se mil versões ironizando sobre a ironia incompreendida do título (eis o papel das aspas) na revista. Memes são assim, ideias que ganham vida própria entre aqueles que as compartilham. A descrição da vida de Marcela virou uma apologia feita pela Veja (apesar das aspas). 

A resistência partiu de fanpages do Facebook (sempre ele a alimentar debates distraídos em feriados...) revoltadas com o que seria anacrônico, afinal caberia, como muitos disseram, em um perfil de meados do século XX, não após revolução sexual, a inserção da mulher no mercado de trabalho, amadurecimento do feminismo etc.

É interessante a vigilância diária que surge em redes sociais contra qualquer deslize que limite a autonomia feminina. Por mais que o debate seja efêmero (amanhã surge outra notícia de utilidade duvidosa), é sempre bom praticar a própria autonomia. 

E que, como bem ensina o filme O Sorriso de Mona Lisa, a autonomia vem para até poder escolher ser bela, recatada e do lar, mas não como mera obrigação, repressão política, jurídica ou moral. 



Fica uma dica para as mulheres indignadas com a Veja. Podem procurar informações sobre as 200 meninas que estão há mais de um ano sequestradas e têm sido vendidas por uma organização que controla parte da Nigéria. Depois, podem conferir os números de apedrejamento de mulheres no Irã e no Paquistão e os estupros coletivos do ISIS (Estado Islâmico) na Síria e arredores. 

Voltando ao Brasil, podem pesquisar sobre as mulheres que são vítima de violência doméstica aos milhares em todo o país apesar da legislação cada vez mais severa. Querem mais assunto? Podem conferir a situação das mulheres que morrem em clínicas clandestinas realizando abortos no país. 

Todas belas, recatadas e do lar. Cada uma à sua maneira.

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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Curso de Redação de Trabalhos Científicos em Arapiraca


Estarei em Arapiraca no dia 07 de maio. 


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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Impeachment na Câmara: por Deus, pela família e por Silvio Santos

Ontem, dia 17, das 14h até quase meia noite o Brasil acompanhou a votação do parecer do impeachment da presidente Dilma Roussef na Câmara dos Deputados. Aprovado, agora segue ao Senado onde terá nova votação nos próximos meses. É bom registrar logo as próprias reflexões sobre esse longo domingo, pode render muitas análises.

A primeira e mais óbvia é o peso do nosso patrimonialismo. Sem precisar contar um a um, é certo que mais da metade dos deputados votaram dedicando suas posições às próprias famílias, grande parte mencionando nominalmente os parentes (tivemos até deputado levando filho pequeno para votar...). A confusão entre público e privado tão evidente no país estava ali, quando não fundamentavam seus votos mas apenas falavam em parentes, ressaltando o pouco interesse pela República.

Passou quase sem ser percebido o grande número de deputados que fizeram questão de mencionar suplentes. Para muitos, a rotatividade é grande com pessoas que ocupam a suplência, portanto não foram eleitos. Não há números claros no momento, mas em muitos períodos contamos com 1/4 dos deputados sendo na verdade suplentes substituindo parlamentares sem votos suficientes para estar ali. Portanto, eleitor, não se sinta culpado pelos sujeitos que estão ali, não por todos.

A educação política teve um telecurso rico. Com um olho na TV e outro em redes sociais, brasileiros acompanhavam em tempo real charges, memes, piadas, comentários sobre seu Parlamento. Nunca antes na história desse país tantos brasileiros acompanharam nas semanas anteriores sessões da Câmara. Se a prática se repetir, com brasileiros enchendo bares e famílias se reunindo para debater política acompanhando votações, podemos ter uma democracia madura. Sonhar não custa nada...

Grande parte dos cidadãos puderam lembrar em quem votaram nas últimas eleições, revendo os deputados do próprio estado. Agora têm ideia do que pensam, dos grupos políticos de que alguns fazem parte, podem claramente discordar ou concordar com eles. Senti um sopro de representatividade real no ar. Podia ser só o ventilador enquanto assistia TV, eu sei, mas senti.

A esquerda parlamentar, infelizmente, desperdiçou uma boa oportunidade. Em vez de se distinguir da massa que dedicava seus votos a parentes e Deus, poderiam mencionar em coro motivos técnicos contra o relatório do impeachment. Em vez disso, eram declarações de amor à integridade moral da presidente (quando o discurso em busca de "gente de bem" costuma ser da direita...), ofender gravemente o presidente da Câmara e, pior, desrespeitar a própria instituição; fazendo parte como deputados gritavam que tudo ali era uma farsa, que havia ali analfabetos políticos etc. A cada vez que alguém gritava (e como gritavam!) que não haveria golpe, fechavam os olhos para a natureza democrática do evento de que faziam parte naquele momento em nome da militância do partido. A queda do PT com os escândalos e a presente péssima gestão é uma oportunidade desperdiçada para autocrítica do partido e para ascensão de esquerdas democráticas. 

Por fim, em um dia interminável e cansativo com inúmeras outras observações que poderiam ser aqui feitas, é inevitável uma menção desonrosa. Os deputados Jair Bolsonaro e Jean Wyllis, ambos do Rio de Janeiro, estiveram nos segundos mais constrangedores que vi. O primeiro, enaltecendo o presidente da Câmara poderia ter sido apenas protocolar, mas dedicou seu voto a Brilhante Ustra, reconhecido pela justiça brasileira como torturador na ditadura; seu filho (também deputado e igualmente imbecil), dedicou o voto aos militares de 64 e apontou para os colegas com dedos simulando disparos de arma de fogo. Jean Wyllis, antagonista do clã Bolsonaro no estado e no Congresso, poderia ter ficado apenas em seu discurso, raivoso e ofensivo, mas cuspiu na direção de Bolsonaro e saiu correndo entre colegas. Difícil medir o constrangimento gerado por eles. Não sou eleitor do Rio de Janeiro, mas a simpatia pelos ideais do PSOL faz com que eu deseje que o partido converse de algum modo com o deputado. Civilidade não custa tanto. Se queremos nos distinguir da direita raivosa, sectária, preconceituosa, é preciso mostrar que sabemos usar as armas da razão e da legalidade. Afinal, seria terrível ver dois deputados um revidando ao outro com cusparadas. Ambos serão lembrados nas próximas eleições por cenas vergonhosas.

Menção honrosa para Tiririca. Em cinco anos, ainda não tinha usado o microfone da Câmara. Dedicado a projetos de lei sobre artistas circenses, discreto no seu trabalho, dedicou o voto ao país e disse sua posição. Independente de qual seja ela, foi sucinto como todos poderiam ter sido. Espero ouvir discursos do parlamentar nos próximos meses (sem ironia, mesmo).

O que vem agora? Cada um puxar amigos e parentes para debater o que viu, procurar entender a complexidade do processo para além da palhaçada de "coxinhas x petralhas" e, quem sabe, passarmos o país a limpo para começar a falar sobre política novamente, quem sabe antes de 2017.

Obs.: Por que Silvio Santos no título? Porque mostrou que o país não parou para assistir à votação, permanecendo no primeiro lugar da audiência durante o domingo. Ainda sobram eleitores desinformados para resmungar que todos são ladrões que querem só dinheiro, enquanto o apresentador grita "Quem quer...?".

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